No estabelecimento hospitalar, Fernando Gomes realizava três a quatro cirurgias por dia. «Foi um trabalho muito intenso. Muitas dessas cirurgias eram casos complicados que exigiam horas de operação», disse o cirurgião, em declarações aos serviços de comunicação dos MSF. A maior parte dos doentes eram crianças, vítimas de acidentes domésticos, provocados, na maioria das vezes, pelo uso do fogão a lenha.
Além de atender os pacientes, o profissional também deu novas instruções de trabalho à equipa que exerce funções no hospital. «Num local onde a quantidade de médicos não é suficiente, o cirurgião local também precisa estar apto a fazer os procedimentos mais complexos», explicou. O modo de vida dos haitianos foi algo que o impressionou.
«Eles são muito elegantes. Têm uma dignidade no vestir e no agir que não encontramos tão facilmente no Brasil. Fiquei impressionado com a maneira como eles reagem à dor, ao sofrimento e às adversidades da vida sem se deixar abater», referiu. «Mesmo com graves ferimentos, as mulheres arranjavam-se, e penteavam-se. Era bonito de ver», disse o profissional que pretende voltar a Haiti para tornar a prestar apoio à população local.
Fátima Missionária
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