Washington. No dia seguinte às explosões que deixaram três mortos e mais de 170 feridos, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou ontem que os ataques a bomba em Boston foram um ato covarde de terror, mas disse que ainda não estava claro se um grupo interno ou internacional estaria por trás dos ataques.

Krystlen Campbell, de 29 anos, foi uma das três pessoas mortas. Martin Richard (com um cartaz pedindo paz), de 8 anos, também não sobreviveu. Fotos: reuters
"Foi um ato hediondo e covarde", disse Obama na Casa Branca. "Bombas foram usadas para atingir civis inocentes, isto é um ato de terror". Obama afirmou que ainda não se sabe os motivos e a identidade dos responsáveis pelos ataques praticados perto da linha de chegada da Maratona de Boston.
"O que não sabemos ainda é quem executou este ataque ou por quê, se foi planejado e executado por uma organização terrorista, estrangeira ou doméstica, ou se foi um ato de um indivíduo maléfico", disse.
O presidente afirmou novamente que quem quer que tenha cometido os ataques será levado à justiça, e ressaltou que os EUA não serão intimidados pelo terrorismo. "Nós também sabemos disso - o povo americano se recusa a ser aterrorizado", disse.
Em uma linguagem direta e franca, Obama afirmou que manterá os americanos informados sobre o desenvolvimento da investigação e pediu que todos se mantenham vigilantes. "O que eu apresentei a vocês é o que nós sabemos. Nós sabemos que bombas foram detonadas. Nós sabemos que, obviamente, elas causaram um dano severo. Não sabemos quem as fez", indicou.
"Não temos uma ideia da motivação ainda. Então todo o resto neste momento é especulação", concluiu Obama.
Trabalho investigativo
A investigação da polícia federal norte-americana (FBI, por sua iniciais em inglês) sobre as explosões intensificou-se ontem, com autoridades entrevistando testemunhas e examinando o que um funcionário local qualificou como "a mais complexa cena de crime" da história da cidade.
Os investigadores americanos garantiram ontem que irão "até os confins da Terra" em busca dos responsáveis pelas explosões mortais na maratona . A rua Boylston, em Boston, local da linha de chegada da prova e do massacre, continuava isolada enquanto os investigadores procuravam pistas do pior ataque contra os EUA desde 11 de setembro de 2001. A polícia fez buscas no apartamento de um possível suspeito e um homem saudita permanecia sob custódia no hospital, mas até mesmo Obama admitiu que não há respostas claras para uma cidade de luto.
Segundo o agente Richard DesLauriers, encarregado da investigação, até ontem nenhum grupo ou indivíduo assumiu a autoria do ataque, mas cerca de duas mil denúncias foram recebidas e estão sendo avaliadas.
O governador da Massachusetts, Deval Patrick, informou que Obama, visitará a cidade amanhã para uma cerimônia ecumênica em Boston.
Vítimas
Os nomes de duas das três pessoas mortas no atentado foram identificados como: Martin Richard, 8 anos, e Krystle Campbell, 29 anos, gerente de um restaurante. Os mortos e feridos incluem pessoas com idades entre 2 e 71 anos, sendo 9 crianças.
O pai de Krystle, William, contou que ela estava perto da linha de chegada na companhia de sua melhor amiga. Elas pretendiam tirar uma foto do namorado da amiga da filha, que corria a maratona. Krystle vivia em Medford, também no Estado norte-americano de Massachusetts.
Familiares confirmaram a morte de Martin Richard. Ele esperava o pai na linha de chegada da corrida com a mãe e os irmãos. Ele morava no bairro de Dorchester e foi descrito por uma colega de escola como um garoto "pequeno e feliz", segundo o "The Boston Globe". Martin gostava de praticar esportes, e era membro da equipe de beisebol Savin Hill Little League. Além dele, a mãe e a irmã foram atingidas pela explosão e se feriram gravemente.
O terceiro morto não teve a identidade divulgada até ontem. Sabe-se que era estudante de graduação da Universidade de Boston. A instituição confirmou o vínculo da vítima com a universidade, mas não revelou o nome por ainda não ter permissão da família para fazê-lo, como afirmou em nota. Ele seria de nacionalidade chinesa, segundo as primeiras informações. "O estudante era um de três amigos que assistiam a corrida perto da linha de chegada", disse o comunicado da universidade.

Vida continua. Um homem puxa sua bagagem pelas ruas de Boston, perto de um cordão policial que isola o local onde aconteceram as explosões na segunda-feira. Até ontem ninguém havia sido indiciado pelo ataque, que deixou três mortos e 176 feridos
Brasileira
A explosão perto da chegada da Maratona de Boston assustou três amigas brasileiras, que acabavam de tirar um foto logo no lugar da explosão. Uma delas, Carolina Feijó, 29, é oficialmente a única brasileira ferida nos atentados.
Estilhaços da bomba atingiram a sua perna. Ela ficou menos de uma hora em um hospital e foi liberada. Mas chorou diversas vezes e diz que ainda está bem abalada. "Pensei que fossem fogos de comemoração, mas aí surgiu aquela neblina de fumaça, vi sangue por todos os lados, foi horrível. Fechei os olhos e botei a mão nos ouvidos. Não sabia para onde fugir", contou Carolina, de Niterói.
Alertas
Além de ter levado ao reforço da segurança em diversas grandes cidades dos EUA, o ataque levou França, Reino Unido e Rússia a elevarem o nível de segurança em grandes eventos e próximo a edifícios públicos. No Reino Unido, as operações de segurança foram intensificadas para o funeral da ex-primeira-ministra Margaret Thatcher. O evento acontece hoje, em Londres.
Terrorismo
"Bombas foram usadas para atingir civis inocentes, isto (sobre os ataques em Boston) é um ato de terror."
Barack obama
Presidente dos EUA

Memorial. Uma mulher deposita flores em um memorial improvisado na rua Boylston. O incidente da segunda-feira é considerado pelas autoridades locais o pior ataque aos EUA desde 11 de setembro de 2001
Havia estilhaços e pólvora em panela
Boston. Uma panela de pressão cheia de pólvora e estilhaços de metal provocou pelo menos uma das explosões da última segunda-feira junto à linha de chegada da Maratona de Boston, no pior atentado em território norte-americano desde 11 de setembro de 2001, disseram autoridades ontem.
A polícia disse que uma parte do centro de Boston deve permanecer fechada durante vários dias para as investigações.
"Quando essas crianças chegaram ... vieram tão gravemente feridas, só cobertas pelo cabelo tostado e com tanta dor, que era de virar o estômago", disse David Mooney, diretor do programa de traumatologia do Hospital Infantil de Boston. "Puxar pregos da carne de uma menininha é simplesmente horrível".
Seguindo uma pista preliminar, um apartamento foi revistado pelas autoridades, que em seguida descartaram que um estudante saudita ferido no ataque tenha tido responsabilidade.
Mais tarde, a secretária norte-americana de Segurança Interna, Janet Napolitano, disse não haver indicação de que as explosões tenham sido parte de um plano mais amplo.
Panela-bomba
Pelo menos uma bomba, e possivelmente ambas, foi feita tendo uma panela de pressão como invólucro, pólvora para a explosão e esferas metálicas para ampliar os danos, segundo funcionários de contraterrorismo, aposentados e da ativa, que tiveram acesso às informações.
Essas fontes, que pediram anonimato, disseram que instruções para produzir esse tipo de bombas podem ser encontradas na internet.
Dois artefatos
Rejeitando relatos anteriores de que até sete dispositivos teriam sido achados em Boston e arredores, Gene Marquez, agente encarregado do Departamento de Álcool, Tabaco, Armas de Fogo e Explosivos, disse que autoridades haviam determinado que as únicas bombas usadas no ataque foram as duas que explodiram logo depois das 15h (16h em Brasília) da segunda-feira.
Uma eventual bomba não detonada poderia ter permitido um melhor esclarecimento sobre sua montagem e os materiais usados, gerando pistas para a investigação.
Em várias cidades dos Estados Unidos, as autoridades estão em alerta redobrado. Alguns incidentes foram registrados, mas sem feridos.
No Aeroporto Internacional Logan, em Boston, dois passageiros e suas bagagens chegaram a ser retirados de um avião da United Airlines que se preparava para decolar na manhã de ontem, segundo uma fonte familiarizada com o caso.
O dia seguinte

Homenagens
Um menino inclina-se contra uma barricada na rua Boylston ao lado de um improvisado memorial um dia depois de duas explosões na reta final da Maratona do Boston com balões com as cores da bandeira americana. O dia foi de homenagens no local do incidente fotos: reuters
Meio-pau
A bandeira dos EUA é hasteada a meio-pau no Capitólio que é emoldurado por tulipas da primavera, contrastando com o clima de tristeza no país.
Diário do Nordeste
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