Almir
Magalhães*
Para encarar com seriedade o tema proposto nesta
breve contribuição, existem muitos caminhos, estratégias e as encontramos por
aí com facilidade. Entretanto, existe um pressuposto sem o qual não iremos
longe: a conversão pastoral.
Se qualquer agente de pastoral em algum momento se
questionar: como pode uma paróquia superar o obsoleto modelo de cristandade,
passando de um estilo de mera conservação, de manutenção, marcada não pela
criatividade, e sim pela repetição e rotina para uma evangelização
contextualizada, para uma proposta missionária recuperando o modelo comunitário
da Igreja primitiva, a resposta vamos encontrar nessa nomenclatura, conversão
pastoral, que já apareceu na Conferência de Santo Domingo e respectivo
documento (SD n. 30) posteriormente assumida no Documento Redemptoris Missio de
João Paulo II, apontando para uma mudança radical de mentalidade (RM n. 49) e
depois na Conferência de Aparecida e documento (nn. 365, 366, 368 e 370).
Observação importante: estes números estão no Cap. VII do documento, cujo
título é “A missão dos discípulos a serviço da vida plena”.
A nossa temática não pode ser vista como um tema da moda, mas um novo paradigma, uma maneira diferente de ver e entender a obra evangelizadora. Isso vai exigir, entre outras coisas, mudança de mentalidade e mentalidade de mudança (não é jogo de palavras), novas atitudes, aceitação de novos métodos como também estruturas.
As novas situações e ideias geram mudanças. É o que ocorre hoje com uma sociedade em constante mudança, a ponto de ser caracterizada como uma situação de mudança de época. Onde se situa o problema do ponto de vista pastoral... É que resistimos às mudanças, fazemos as coisas como sempre as temos feito e isto acaba nos tornando incapazes de aceitarmos as novas ideias.
Fruto da 51ª Assembleia da CNBB está circulando o
documento verde n. 104 – Estudos da CNBB intitulado “Comunidade de comunidades:
Uma nova paróquia”. A estrutura paroquial classicamente conhecida tem suas
bases na matriz, no pároco, no território, nas pastorais, movimentos, grupos,
numa catequese de iniciação cristã pobre, fragmentada e assistemática.
Referido documento e seu
conteúdo estão abertos a contribuições até 15 de outubro, com o objetivo de
enriquecê-lo. O processo de mudança encontra resistência porque o estilo
paroquial vigente está enraizado na alma do povo e é reforçado por elementos
estruturais, circunstanciais e aleatórios. Há a necessidade urgente de mudar o
paradigma paroquial existente, tomando como base uma estruturação com perfil
comunitário (rede de comunidades), valorização dos ministérios leigos e
respectivo protagonismo, revisão das prioridades do ministério ordenado, marcado
por um sacramentalismo que prejudica e tira o foco da essência dos sacramentos,
por um reconhecido ativismo e administrativismo que desloca energias e não o
coloca na centralidade da ação evangelizadora, da animação e descoberta de
novos carismas na comunidade e principalmente não o coloca numa relação de
proximidade com as pessoas (a não ser com aquelas que estão mais próximas).
Tudo isso exige da parte de todos
os agentes envolvidos, uma ascese pastoral que conduza à conversão pastoral,
para entender a necessidade de mudança.
O estudo lembra que pode haver uma acomodação, sem
compreender o enfraquecimento da vivência da fé no cotidiano. Há quem prefira
uma pastoral de manutenção, de rotina, sem escutar o apelo de conversão que
nosso tempo exige.
O tema em apreço é provocativo e convidativo a
estudo, contribuição e, sobretudo, da parte dos párocos que ousem, no exercício
do respectivo ministério, a encetar na fidelidade ao evangelho um processo
lento, gradual e progressivo que aponte para uma nova paróquia, cujo eixo seja
a comunidade que se articula no seu território com as demais comunidades.
*Sacerdote e Diretor da Faculdade Católica de Fortaleza (Seminário da Prainha)
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