Após o golpe militar que depôs Mohamed Morsi, o então chefe do Poder Judiciário do Egito, Adly Mansour, de 67 anos, assumiu nesta quinta-feira (4) a presidência interina do país. Diante da Assembleia Geral do Tribunal Constitucional Supremo, ele prestou juramento ao novo cargo. "Juro por Deus todo-poderoso defender o sistema republicano e respeitar a Constituição e a lei, atender ao povo e proteger a independência nacional e a integridade territorial", disse.
O governante afirmou que assume o poder "com grande honra e durante um período interino", até a realização das eleições presidenciais "em um futuro próximo", que ele mesmo deverá convocar e supervisionar. "A revolução de 30 de junho corrigiu a revolução de 25 de janeiro de 2011 (que derrubou Hosni Mubarak)", disse Mansour. Para o novo presidente, as novas manifestações no país, que reuniram milhares de pessoas nos últimos dias, significou "a reunificação do povo egípcio, sem divisões".
Ao final do juramento, Mansour agradeceu às Forças Armadas por defender os egípcios, e disse que o Exército é a "a consciência da nação e a fortaleza para protegê-la".
O presidente deposto, Mohamed Morsi, que até então estava em paradeiro desconhecido, está detido por militares no Clube da Guarda Presidencial Republicana, segundo integrantes da Irmandade Muçulmana, organização política que apoiava o regime de Morsi. Ele e seus assessores diretos foram detidos quarta-feira (3), logo após a deposição do governo.
Quem é Adly Mansour
A nomeação de Adly Mansour foi anunciada ontem pelo general Abdel Fattah al-Sisi. Mansour foi nomeado interino apenas dois dias após assumir a presidência da Suprema Corte do Egito.
Mansour era vice-presidente da Suprema Corte desde 1992. Ele foi encarregado de redigir a lei de supervisão para as eleições presidenciais do ano passado, nas quais Morsi saiu vitorioso. Nascido no Cairo, a capital egípcia, Mansour é formado em direito e fez pós-graduação em legislação geral e ciência administrativa. Estudou em Paris de 1975 a 1977.
Antes de assumir funções na Corte Suprema, fez parte do Conselho de Estado do Egito, em 1984, assumindo inclusive a presidência do órgão. Ele é casado e tem três filhos.
Revista Época
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