O doutor, porém, quis ir mais longe, e perguntou: Quem é o «próximo»? No tempo de Jesus existia uma grande discussão sobre o tema; havia uma tendência mais alargada e outra mais exclusivista; ambas, porém, concordavam no seguinte: o «próximo» era alguém que estava dentro da Lei, isto é, um Judeu. Esta pergunta dá a oportunidade a Jesus de contar uma parábola, que é bem conhecida: um homem (não sabemos o nome, a raça, a religião) está descendo de Jerusalém para Jericó, quando é apanhado por bandidos, que depois de o espancarem e roubarem o deixam pela estrada.
Um sacerdote e um levita, encontram este homem, mas continuam a viagem. Não sabemos se foi por terem medo que lhes acontecesse o mesmo, se foi pela pressa que tinham, se foi porque não queriam ir contra as leis da pureza, porque ambos estavam ligados ao serviço religioso do Templo, ou se foi mesmo por indiferença. O certo é que não pararam, mas revelaram que ao saberem tanto de Deus, sabiam muito pouco afinal.
Uma outra pessoa, um samaritano, viu aquele homem estendido no chão. Foi pois um samaritano (um herege para os Judeus), que teve compaixão (sentimento muitas vezes atribuído a Deus e a Jesus, ou seja um sentimento próprio das pessoas de Deus), e tomou conta do homem. Conclusão: - pergunta Jesus - «Quem foi o próximo do pobre homem?» «O que usou de compaixão para com ele», respondeu o doutor. «Então, vai e faz o mesmo», diz-lhe Jesus.
Eis o ensinamento do Evangelho: uma religião que é só teoria não serve. O amor a Deus concretiza-se no amor ao próximo. Mesmo quando o próximo não nos é muito simpático.
Fátima Missionária
Nenhum comentário :
Postar um comentário