19/08/2013

Celeiro de autores

Terra natal de escritores como José de Alencar, o Estado tem outros destaques na literatura

O Ceará foi um celeiro de escritores em várias épocas. Ainda no século XIX, José de Alencar despontou como um dos mais importantes nomes do Romantismo brasileiro. Em "Iracema", mostrou para o Brasil algumas das metáforas da formação do nosso povo, através do romance entre a índia e o branco português. Já no século seguinte, Rachel de Queiroz, com apenas 20 anos, lançou "O Quinze", na década de 30, mostrando as agruras da seca. Também foi a primeira mulher a integrar a Academia Brasileira de Letras. Além destes, também se destacaram, em um passado mais recente, os autores Moreira Campos, Milton Dias, Caio Cid, João Clímaco Bezerra, Mozart Soriano Aderaldo e muitos outros.

Segundo Sânzio de Azevedo, membro da Academia Cearense de Letras, o Estado produziu nomes importantes em várias escolas literárias. "Eu sempre destacaria Juvenal Galeno e Joaquim de Sousa no Romantismo; Rodolfo Teófilo e Adolfo Caminha no realismo-naturalismo; Lívio Barreto no Simbolismo; Antônio Sales, Cruz Filho e Júlio Maciel no Parnasianismo (Otacílio de Azevedo, meu pai também, mas sou suspeito para citá-lo); Jáder de Carvalho e Filgueiras Lima no Modernismo e José Albano hors-concours. Não vou além do primeiro Modernismo", explica Sânzio.

Outra curiosidade é que a Academia Cearense de Letras foi criada três anos antes da Academia Brasileira de Letras. A nossa academia foi fundada em 15 de agosto de 1894 pelo anglo-cearense Barão de Studart e por Thomaz Pompeu de Souza Brasil. A inspiração foi a Academia de Ciências de Lisboa e surgiu no rastro da famosa Padaria Espiritual, de Fortaleza, que tinha como participantes Antônio Sales. Hoje, a instituição, presidida pelo bibliófilo José Augusto Bezerra, conta com 34 acadêmicos.

Recentemente, alguns cearenses também tem se sobressaído. Cláudia Carvalho, integrante da Rede de Escritoras Brasileiras, chegou a ter o seu "Mulher Brasileira Procura" na lista dos dez mais vendidos de uma livraria em Fortaleza.

No Brasil, um dos destaques cearenses é Lira Neto. Autor de seis biografias, teve a obra sobre a cantora Maysa adaptada para a televisão. A biografia de Getúlio Vargas, com dois tomos já lançados, também é sucesso de crítica e vendas.

Para Lira Neto, o mercado editorial cearense tem mudado nos últimos anos, mas ainda há muito o que conquistar. "O mercado cearense apresentou um desenvolvimento considerável. O surgimento de editoras locais é um nítido sinal disto. Entretanto, é preciso aproximar mais o autor cearense do público em potencial. Os próprios escritores podem começar fazendo a sua parte, ao deixar de pensar que isso se resume a convidar meia dúzia de amigos para um coquetel de lançamento em um clube da cidade, mas trabalhar com afinco para construir uma obra que tenha relevância", diz.

Na opinião do escritor, a forma de ver o mundo é mais importante do que o local em que se vive. "Infelizmente, um autor situado no eixo Rio-São Paulo terá mais visibilidade do que o que decide permanecer em seu lugar de origem. Esta realidade tende a ser amenizada com as facilidades tecnológicas. Mas o mais importante é manter uma interlocução permanente com o mundo. Se não, um autor continuará na periferia do mercado editorial, mesmo morando em São Paulo ou Nova York", diz. 


Diário do Nordeste

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