13/09/2013

Austeridade gera 25 milhões de pobres


A austeridade está a paralisar o crescimento da Europa, a causar mais pobreza e desigualdade, e se os cortes se mantiverem, em 2025 mais de 25 milhões de europeus poderão estar a viver no limiar da pobreza, conclui um estudo promovido pela organização não governamental Intermón Oxfam. A análise prevê ainda que um quarto da população do velho continente esteja em risco de ser considerada pobre, caso a atual tendência não seja corrigida. 

«A gestão europeia da crise econômica ameaça retroceder décadas de progresso em matéria de direitos sociais. Os cortes agressivos na segurança social, saúde e educação, a diminuição de direitos dos trabalhadores e um sistema fiscal injusto estão a prender milhões de cidadãos europeus ao círculo vicioso da pobreza que poderá perdurar durante décadas. Não tem sentido moral nem econômico», refere Teresa Cavero, uma das autoras do relatório. 

Para a responsável pelo departamento de investigações da Oxfam, «a austeridade hoje, como as medidas de ajuste no passado na América Latina e Ásia, não só não são a solução para a crise, como podem ser o remédio errado que acabará por matar o paciente». Se os líderes da Espanha, Grécia, Irlanda, Itália, Portugal e Reino Unido não mudarem de rumo, estes países estarão brevemente entre as nações com maior desigualdade no mundo, acrescenta Cavero. 

«É possível impulsionar um novo modelo de crescimento. Investindo em escolas, hospitais, habitação, investigação e tecnologia, milhões de cidadãs e cidadãos europeus poderão voltar a trabalhar e a promover uma economia sustentável», conclui Teresa Cavero, solicitando aos responsáveis europeus e aos ministros das finanças da União Europeia que travem a austeridade e apostem noutros modelos de desenvolvimento social e econômico, invistam nas pessoas, reforcem a democracia e procurem um sistema fiscal justo.


Fátima Missionária

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