Nova York. A presidente Dilma Rousseff (PT) desembarcou ontem em Nova York para participar da Assembleia-Geral das Organização das Nações Unidas (ONU). Ela não falou com os jornalistas ao chegar ao hotel e subiu para o quarto para trabalhar no discurso que fará na abertura do evento, hoje, no qual deve abordar a espionagem praticada pelo governo americano.
Antes de discursar na abertura da 68ª Assembleia Geral da ONU, a mandatária brasileira teve encontro com a colega argentina Cristina Kirchner e com o ex-presidente dos EUA, Bill Clinton FOTO: REUTERS
Dilma pretende usar o encontro para pedir o estabelecimento de uma governança global sobre a internet, que - ao menos em tese - possa impedir sua utilização por serviços de espionagem. O texto apresentará a invasão de privacidade dos cidadãos como violação de direitos humanos.
O discurso acontece antes da fala do presidente dos EUA, Barack Obama, que recebeu de Dilma, na semana passada, uma negativa para participar de uma visita de Estado em Washington em outubro.
O cancelamento da viagem foi uma represália às denúncias de que a NSA (a Agência de Segurança Nacional dos EUA, na sigla em inglês) espionou a comunicação da mandatária com seus assessores, além de ter vigiado também a Petrobras. Na ONU, a presidente questionará a gestão da internet, altamente dependente dos EUA, em busca de uma maior proteção contra ações como as que o ex-técnico Edward Snowden tornou públicas.
Esta questão da espionagem atingiu diversos governos latino-americanos, razão pela qual certamente se converterá em um ponto de consenso ao longo dos discursos dos líderes regionais em Nova York.
Crise síria
Outro assunto presente no discurso da líder brasileira deve ser a crise na Síria, num momento em que a comunidade internacional observa com impotência o agravamento do conflito, que já deixou mais de 110.000 mortos e dois milhões de refugiados em 30 meses.
A Secretaria de Imprensa do Planalto informou que a líder brasileira se reunião ontem com o ex-presidente dos EUA Bill Clinton e com a mandatária argentina, Cristina Kirchner. Dilma deve se encontrar ainda com o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, hoje, momentos antes de proferir o discurso.
Amanhã de manhã, antes de retornar ao Brasil, Dilma deve discursar também em um evento organizado pelo Goldman Sachs, no qual são esperados os chefes do Banco Central, da Fazenda e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Programa iraniano
O presidente americano, Barack Obama, seu colega iraniano, Hassan Rohani, o chefe de Estado francês, François Hollande, o colombiano Juan Manuel Santos, a argentina Cristina Kirchner e o uruguaio José Mujica são os outros oradores previstos para a sessão de abertura da 68ª Assembleia Geral da ONU hoje.
Em paralelo ao conflito sírio há outro tema que ocupará boa parte dos debates e negociações diplomáticas: o programa nuclear do Irã, sobre o qual o novo presidente Hassan Rohani tenta convencer o Ocidente das boas intenções de seu país e acaba de afirmar que Teerã nunca buscará se dotar de uma arma nuclear. Irã e EUA não contam com relações diplomáticas desde 1979.
Diário do Nordeste

Nenhum comentário :
Postar um comentário