O empresário Antenor Barros Leal é um dos agraciados com o 43º Troféu Sereia de Ouro. Além dele, receberão a comenda o médico Carlos Roberto Martins Rodrigues Sobrinho, a pesquisadora Zélia Rouquayrol e o ministro Raul Araújo Filho
O empresário Antenor Barros Leal: "Poucas vezes uma homenagem me tocou tanto" Foto: Eduardo Queiroz
De lá para cá, o caçula de seis irmãos cumpriu exitosa jornada no campo empresarial. Radicado na capital carioca há 40 anos, o empresário cearense é presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ).
O incentivo da família foi fundamental. Quando Antenor tinha apenas quatro anos, mudam-se para Fortaleza, onde iniciou os estudos, enquanto o pai farmacêutico deu seguimento ao negócio.
"Quando eu acordava, ele já estava recebendo as pessoas, com a ajuda de minha mãe no balcão. Ia dormir e eles continuavam lá", recorda o empresário. Na Capital, ingressou na Faculdade de Direito da Universidade Federal do Ceará, em 1965. A escolha do curso não agradou o pai, que preferia ver os filhos formados em medicina e, de preferência, longe de uma possível carreira política - destino relativamente comum aos egressos do curso.
Antenor manteve-se firme em sua decisão. Estudando Direito, porém, outra vocação revelou-se clara a Antenor. Ainda no segundo ano de faculdade, ele se tornou chefe de gabinete na Assembleia Legislativa do Ceará. "Sempre dedicava tempo ao Diário Oficial, às Assembleias Gerais Ordinárias das empresas. Pensei: meu caminho é por aqui!", lembra. Para Antenor, a experiência foi marcante. "Tive oportunidade de conhecer as práticas políticas, o jogo de interesses, a natureza humana, ainda tão jovem", explica.

Formado, nunca chegou a advogar. Preferiu dar continuidade em sua formação de empreendedor, com cursos de administração e economia nos EUA. "Eles foram importantes para ampliar minha compreensão do mundo e da área de negócios", ressalta. O resultado da dedicação foi um convite para trabalhar no Grupo J. Macedo, que à época iniciava a implantação de uma fábrica na Bahia.
Mudança
O cargo, no setor financeiro da empresa, exigia que Antenor saísse do Ceará para São Paulo ou Rio de Janeiro. A decisão coube à esposa, Silvia Maria Albuquerque de Barros Leal, que não titubeou em escolher a Cidade Maravilhosa.
Em 1972, Antenor, a esposa e os três filhos chegaram ao Rio, para o que seria temporada de um ano. Pouco depois desse prazo, no entanto, já haviam adquirido o apartamento no qual moram até hoje, no bairro do Leblon. Antenor permaneceu no Grupo J. Macedo até 1976, quando partiu para novas projetos. "Trabalhar no grupo foi uma grande escola para mim", reconhece Antenor Barros Leal.
Ao longo da carreira, passou ainda por empresas do ramo de alimentação, como o grupo Moinhos Cruzeiro do Sul S.A.. Nos anos seguintes, foi sócio fundador de empresas de investimento e de consultoria - atividade à qual se dedica até hoje, junto a atuações em diferentes órgãos e entidades empresariais.
Antes da ACRJ, Antenor Barros Leal esteve à frente do Sindicato das Indústrias de Trigo nos Estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo (Sinditrigo); e da Associação Brasileira das Indústrias de Trigo (Abitrigo), da qual foi fundador e primeiro presidente. Hoje, o empresário é vice-presidente do Sebrae/RJ e membro da Câmara de Comércio Americana e da Câmara Brasileira de Mediação e Arbitragem, da qual é fundador e árbitro. "Sempre procurei me vincular às entidades representativas dos setores, que precisam se reunir e formular propostas ao governo. São ações necessárias para crescer e gerar riquezas, empregos, contribuir para a criação de um ambiente pró-negócio no País", avalia.
Inspiração
Como referências para sua atuação, Antenor cita dois conterrâneos: o industrial Edson Queiroz e o empresário Ivens Dias Branco. "São exemplos de homens visionários que apostaram em si mesmos e no seu povo. Esse é o papel do empresário. Que as empresas lucrem, que paguem seus impostos e estes sejam aplicados dignamente".
Em 2013, Antenor foi reeleito para seu segundo mandato de dois anos na ACRJ, mais antiga entidade de representação civil do País, fundada há 204 anos, além de órgão consultivo do Governo Federal. Mantém ainda uma produção regular de artigos e textos. Em breve, esse material dará origem a um livro.
Mesmo com uma vida profissional cheia de compromissos, Antenor não descuida da família. "Sempre investi nisso, me faz bem estar com meus filhos, com minha esposa e meus netos. Há espaço para tudo se você se organizar", ensina. O empresário também encontra tempo para dedicar à sua paixão pelos esportes. Torcedor do Vasco e do Ceará, costumava jogar regularmente. Quando diminuiu o ritmo, trocou os gramados do futebol pelo campo de golfe, atividade que pratica assiduamente.
Comenda
Antenor Barros Leal conta ter ficado emocionado ao receber a notícia da homenagem com o Troféu Sereia de Ouro. "Poucas vezes uma homenagem me tocou tanto. A sensação de receber uma comenda tão importante para os cearenses é de grande realização", revela.
Além do empresário Antenor Barros Leal, a outorga do 43º Troféu Sereia de Ouro será conferida ao médico Carlos Roberto Martins Rodrigues Sobrinho, à pesquisadora Zélia Rouquayrol e ao ministro Raul Araújo Filho, em solenidade que acontece no dia 27 de setembro, no Theatro José de Alencar (TJA).
Diário do Nordeste

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