O ministro Raul Araújo Filho está entre os agraciados com o 43º Troféu Sereia de Ouro. Além dele, receberão a comenda o empresário Antenor Barros Leal, o médico Carlos Roberto Martins Rodrigues Sobrinho e a pesquisadora Zélia Rouquayrol
Aos 54 anos, Raul Araújo Filho mantém vivo o amor pela leitura. Herdou o hábito do pai, que via com gosto o filho que, ao invés de brincar na rua, preferia se entreter com livros e enciclopédias. O pai também o inspirou a seguir a carreira no Direito. Por meio de muita dedicação, Raul Araújo chegou ao cargo de ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Raul Araújo Filho: "meu pai foi o modelo de homem que sempre quis ser" FOTO: WALESKA SANTIAGO
Ele fala com satisfação da longa trajetória profissional até então, que inclui atuações como procurador-adjunto e procurador geral do Estado, após passar por comarcas do Interior na condição de promotor público. No magistério, o ministro foi professor do Curso de Direito da Universidade de Fortaleza (Unifor) e coordenador do Curso de Especialização em Direito Tributário da mesma instituição.
Raul Araújo Filho teve uma dupla formação acadêmica: em 1981, graduou-se em Direito, pela Universidade Federal do Ceará (UFC); e em 1985, em Economia, pela Universidade de Fortaleza (Unifor). No curso de Direito, encontrou sua companheira, Marietta, e mestres que ainda hoje lhe servem de referência, caso do sogro, o civilista Wagner Barreira. Raul iniciou sua carreira profissional no escritório de advocacia do pai. "Meu pai era um homem sisudo no trabalho. Dentro de casa, era um pai presente e muito amoroso com os filhos. Ele foi o modelo de homem que sempre quis ser", conta Raul Araújo.

Atuação estadual
Dali, saiu para ocupar o cargo de Promotor de Justiça, integrando o Ministério Público do Estado do Ceará. "Como promotor, incentivei muito as audiências de conciliação, para evitar determinados litígios, até para o lado criminal. Com essa vivência, pude perceber que toda história tem duas versões. Eu trabalhava sempre na possibilidade de haver um antagonismo, um contraditório para que pudesse extrair uma síntese", relembra.
No começo da década de 90, Raul Araújo ingressou, por meio de concurso, na Procuradoria do Estado. Iniciou na Procuradoria Fiscal, passando a chefiar a Procuradoria de Processos Administrativos Disciplinares até chegar ao cargo de procurador-geral do Estado do Ceará. "É preciso ter a medida certa para julgar. Não se deve ser demasiado severo, tampouco brando. Gosto do ditado que diz ´justiça sem bondade é crueldade; e bondade sem justiça é fraqueza´", ensina o ministro.
O ministro Raul Araújo conta que, após 18 anos servindo ao Estado, percebeu que havia cumprido funções na Procuradoria Geral do Estado, partindo para um novo projeto: o ingresso na magistratura.
STJ
O STJ é o segundo tribunal mais importante do Brasil, dando a última palavra em toda questão que for deliberada com base na legislação federal. "É uma honra para todo profissional da área jurídica", explica o ministro. O único problema citado por Raul Araújo na função, desempenhada em Brasília, é a distância da esposa, Marietta Barreira Araújo, procuradora e professora universitária, com quem é casado há 34 anos.
A carga de trabalho no STJ faz com que Raul Araújo Filho tenha pouco tempo para o lazer. Estes momentos são dedicados à família e às suas paixões. A leitura é uma delas. Para o ministro, trata-se de "alimento para o espírito", destacando, entre seus autores favoritos, clássicos como Machado de Assis, León Tolstói, Voltaire, Fiódor Dostoievski e o cearense José de Alencar. A outra é a música, sobretudo a erudita. A arte, diz Raul Araújo, serviu para que ele levasse um pouco de sensibilidade no momento de decidir sobre uma ação.
"A rotina do Tribunal é muito pesada, mas compensa ao reconhecermos a importância das decisões que ali são tomadas. É um embate constante contra o tempo. Sempre levo processos para serem revisados durante as minhas folgas", revela o ministro.
A demanda de trabalho não assusta Raul Araújo Filho. "Estamos realizando o sonho do povo que é atender à demanda do Judiciário, que consiste em oferecer uma justiça séria, com decisões justas em benefício da sociedade brasileira", avalia. Para Raul Araújo Filho, a concretização dessa meta é difícil, mas todos no STJ partilham do empenho em alcançá-la, cientes de se tratar de uma exigência social.
Comenda
A comunicação de que seria agraciado com o Troféu Sereia de Ouro foi recebida, por telefone, quando Raul Araújo Filho estava de férias, no exterior. "Fiquei emocionado. O Sereia de Ouro é a mais importante homenagem que um cearense pode receber. Há mais de 40 anos, esse troféu distingue personalidades do Estado por meio de uma escolha muito criteriosa. Ele traz a marca de Edson Queiroz, que todos nós associamos ao trabalho, à competência e ao sucesso", avalia.
Além de Raul Araújo Filho, a outorga do 43º Troféu Sereia de Ouro será conferida ao empresário Antenor Barros Leal, ao médico Carlos Roberto Martins Rodrigues Sobrinho e à pesquisadora Zélia Rouquayrol, em solenidade que acontece, amanhã, no Theatro José de Alencar.
Diário do Nordeste

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