O ensino, a pesquisa e a prática da cardiologia são missões abraçadas, há 20 anos, pelo médico Carlos Roberto Martins Rodrigues Sobrinho - o Dr. Cabeto, como é conhecido. Especializado em cardiologia pelo Instituto do Coração da Universidade de São Paulo (InCor/USP), ele tornou-se uma referência na especialidade, destacando-se pela atenção ao paciente e a dedicação em conhecer, tratar e ensinar os segredos do coração humano. Chefe do Serviço de Cardiologia do Hospital Universitário Walter Cantídio, professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), o médico idealizou o Instituto de Ciências Médicas (ICM).
Dr. Cabeto: "ser agraciado com esta comenda é uma honra" FOTO: WALESKA SANTIAGO
Cabeto é filho do médico e professor de Medicina Clínica da UFC Paulo Marcelo Martins Rodrigues. Em 1984, ele ingressou no curso de medicina da mesma universidade em que o pai lecionara. Graduado em 1990, mudou-se para São Paulo para encerrar o curso de pós-graduação em Clínica Médica, iniciado no Hospital das Clínicas de Fortaleza. A cardiologia surgiu como uma opção de complemento da residência médica. Foram três anos dedicados à clínica geral e outros dois à cardiologia no Instituto do Coração, na capital paulista.
"Minha ideia inicial era a seguir carreira como clínico geral", conta o médico. A intenção, recorda, era dedicar-se ao ensino. O bom desempenho no atendimento aos pacientes e nas pesquisas do InCor, no entanto, rendeu um convite de Eduardo Moacir Krieger, à época, chefe do serviço e do programa de pós-graduação da instituição para que continuasse ali os seus estudos. Permaneceu até o fim da década de 1990 vinculado à pós-graduação do Instituto do Coração, atuando como médico pesquisador da Unidade de Hipertensão e do Pós-Operatório em Cirurgia Cardíaca.

"Estudei o sistema quimiorreflexo na insuficiência cardíaca. É como se dá o controle da respiração em indivíduos com insuficiência cardíaca grave, em vias de realizar transplante. É um mecanismo importante, porque a maioria desses doentes tem distúrbio na forma de respirar, na maneira de dormir e isso tem um impacto na sobrevida deles, após um transplante", detalha, com a didática que lhe é cara. A linha de pesquisa é pioneira no País, tendo sido inaugurada pelo professor Krieger.
Retorno
A UFC foi a porta de entrada de Cabeto em seu retorno ao Ceará, em 2000. Motivado pelo nascimento do primeiro filho, o médico optou por ficar mais próximo à família. Na Capital, manteve a tripla tarefa de clinicar, pesquisar (inicialmente, como voluntário no Hospital das Clínicas) e lecionar. No ano seguinte, idealizou e fundou, com colegas do corpo docente, o Instituto de Ciências Médicas. O médico ainda foi responsável pela criação do Laboratório de Investigação Clínica Professor Eduardo Moacir Krieger, em homenagem ao pesquisador paulista, onde começou a desenvolver pesquisa ligada a sua linha no InCor.
"A gente tinha o exemplo do InCor, que é a quinta instituição mais importante no estudo da cardiologia do mundo, responsável por grande parte das pesquisas médicas na área, de impacto nacional e na América Latina. A ideia era trazer esse modelo para o Estado", contextualiza. Iniciadas as pesquisas, o grupo criado por Carlos Roberto Martins Rodrigues Sobrinho vem desde então trabalhando pela construção de uma unidade hospitalar que funcione no Estado como um centro de excelência nos moldes do InCor, que disponibilize com a mesma qualidade atendimento público e privado, além de ser um centro de formação de professores e de desenvolvimento de tecnologia.
A unidade começou a ser construída em 2008, com o apoio de empresários e políticos, em uma área de 12 mil metros, com 158 leitos, ampliáveis a 450 leitos. O grupo está catalisando apoios com a expectativa de terminar as obras em um ano e meio. "Nós temos pessoas qualificadas no Ceará, mas treinadas em outros estados, capacitadas fora do Brasil. A gente se ressente de instituições sólidas. As instituições têm que ser maiores que a pessoa. O serviço de cardiologia não pode depender desta ou daquela pessoa", reforça, em defesa do projeto.
Ao longo de sua trajetória, o cardiologista teve 55 trabalhos científicos publicados em revistas especializadas, participou de cerca de 20 bancas de mestrado e doutorado. Foi por cinco anos diretor médico do Hospital Universitário Walter Cantídio, exercendo ainda, paralelamente, a função de coordenador da Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Monte Klinikum.
Comenda
Dr. Cabeto conta que a notícia de que receberia o Troféu Sereia de Ouro foi motivo de muita alegria. "Para mim, ser agraciado com esta comenda é uma honra. É mais um estímulo para cumprir o meu papel", avalia o médico. "O troféu é importante por ser, também, um reconhecimento à classe médica, a um tipo de medicina que defendo: a medicina humanizada, com dedicação às pessoas", conta.
Além do médico Carlos Roberto Martins Rodrigues Sobrinho, a outorga do 43º Troféu Sereia de Ouro será conferida ao empresário Antenor Barros Leal, à pesquisadora Zélia Rouquayrol e ao ministro Raul Araújo Filho, em solenidade que acontece no dia 27 de setembro, no Theatro José de Alencar (TJA).
Diário do Nordeste
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