09/11/2013

Editorial: Uma lição de caridade


Cidade do Vaticano (RV) -  RealAudioMP3 A prática da caridade e do amor: o Papa Francisco na última quarta-feira, durante a audiência geral na Praça São Pedro pediu aos presentes um ato concreto de caridade para com uma menina gravemente enferma; brincou... não vamos fazer uma coleta, mas sim rezar todos juntos pela sua cura; o nome da menina é Noemi. A Caridade precisa de um ato concreto, de ação e não de intenção... O Papa Francisco vem continuamente insistindo para que o cristão saia da “casca” e se transforme em fermento da sociedade, mas de modo concreto. No centro dessa ação está o amor.

A oração solicitada pelo Papa comoveu milhares dos presentes na Praça São Pedro: Francisco pediu um ato de amor para quem ninguém conhecia; “mesmo se se não a conhecemos ela é uma de nós”, disse.

Noemi tem dezesseis meses, e desde quando nasceu, vive com uma doença terrível, a atrofia muscular espinhal (Sma). Ao lado do amor dos genitores da menina, está também o amor do Papa que telefonou para o pai, Andrea Sciarreta. De fato no dia 14 de outubro, quando o telefone de Andrea tocou, do outro lado estava Francisco que abraçou espiritualmente a menina e os pais. O calvário da família Sciarreta recebeu o conforto e a proximidade do Santo Padre. Desde então os contatos foram frequentes, culminando com o encontro na Casa Santa Marta, na última quarta-feira.

O que o Papa fez nesta semana, falando e demonstrando publicamente, sobre um encontro privado com o sofrimento de uma família, é mais um exemplo de como nós cristãos podemos responder às exigências e dificuldades de quem está ao nosso lado, e que muitas vezes definha diante da nossa insensibilidade. É preciso ter tempo para parar e olhar ao nosso redor, para aqueles que não conhecemos, mas que necessitam da nossa ajuda; eles são nossos irmãos e irmãs que muitas vezes se apagam lentamente na maior indiferença de todos.

Na audiência de quarta-feira o Papa Francisco falou dos carismas e da importância deles na vida das pessoas, da comunidade. Os carismas são importantes e são meios para fazer com que cresçamos na caridade. Todos nós temos carismas especiais que devemos descobrir e utilizar.
É justamente na caridade que demonstramos o amor, que compartilhamos dos sofrimentos e das alegrias do outro. Caridade rima com solidariedade, e não deve ser somente uma figura retórica. Se vivemos a caridade, devemos vivê-la até o fim, sem medidas, “sem mas, e sem porém”... O Papa nos alerta que a nossa ação não deve ser uma “caridadezinha” para descargo de consciência, mas sim um entrar nas dores e alegrias do outro, tornando-as nossas.

A lição desta semana apresentada pelo Papa através de seus gestos nos deve levar a uma reflexão ainda mais profunda do nosso ser cristão. Estamos, talvez, acostumados a nos identificar com a nossa fé somente quando entramos na igreja para rezar, ou para uma celebração; pertenço a essa Igreja então vou lá. Mas o caminho para chegar até ela está repleto de oportunidades para colocar em prática aquela fé que pode se transformar em amor, em caridade; e frequentemente temos a utópica visão de que o essencial está nas paredes do local sagrado. Esquecemos que o nosso irmão também é templo sagrado e perdemos a oportunidade de viver a real dimensão daquilo que em que cremos.

Assim muitas vezes desgastamos a palavra caridade sem viver ou conhecer o amor, o verdadeiro amor... nos iludimos; e quem diz que ama sem praticar a caridade, certamente vive no engano. 
Caridade e amor caminham juntos; a caridade é a eficácia do amor. “Quem não ama o próprio irmão que vê, não pode amar a Deus que não vê” (1 Jo. 4,20). Papa Francisco pede a todos nós que vivamos a Caridade e que não construamos a ilusão do sermos felizes sozinhos. (Silvonei José)

Rádio Vaticano

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