
Os sintomas mais conhecidos do TOC são a preocupação excessiva com limpeza.
Nos últimos tempos, o termo TOC passou a ser bastante comum no vocabulário das pessoas para se referir a manias comuns do dia a dia. Contudo, o uso popular do mesmo assumiu um significado diferente do original, uma sigla que designa um diagnóstico no campo da saúde mental: Transtorno obsessivo-compulsivo.
Os sintomas mais conhecidos do TOC são a preocupação excessiva com limpeza; o impulso de conferir várias vezes as portas, as janelas, o gás; o desconforto com objetos fora do lugar; superstições que envolvem números, datas ou cores. A divulgação pela mídia do tratamento de personalidades famosas e o número de filmes cujos personagens são portadores do transtorno são, entre outros, fatores que ajudam a divulgar o diagnóstico.
Por um lado isso é positivo, pois desperta a curiosidade e facilita o acesso às informações, contribuindo para desmistificar visões distorcidas popularmente associadas aos tratamentos psiquiátricos e psicológicos. Contudo, a banalização do termo pode dificultar a busca de tratamento por aqueles que sofrem com os sintomas do transtorno, o que torna fundamental esclarecermos o que de fato ele é.
O TOC é uma doença mental que acomete cerca de 2% da população e pode comprometer gravemente a vida dos portadores. É comum que tenha início na infância ou na adolescência e pode permanecer cronicamente pelo resto da vida. As causas do transtorno não estão esclarecidas, mas as pesquisas sugerem interferências neurológicas, genéticas e psicológicas no seu desenvolvimento.
Obsessões
Pessoas com TOC sofrem com pensamentos indesejados que invadem suas mentes sem que possam se livrar deles. São pensamentos estranhos, incomuns e despropositados. Qualquer pessoa pode ter pensamentos bizarros e isso não tem nada de anormal quando eles são passageiros e não causam sofrimento.
Entretanto, no caso de portadores de TOC, esses pensamentos são persistentes e recorrentes, provocando uma cascata de reações emocionais e comportamentais que comprometem a vida seriamente. Além dos pensamentos, podem surgir na mente das pessoas, imagens repugnantes, impulsos e ideias sem sentido. Por mais que a pessoa tente ignorá-las ou esquecê-las, elas continuam a reaparecer gerando sentimentos de culpa, ansiedade, vergonha, nojo, medo e outras emoções desagradáveis.
Ao contrário das preocupações com situações reais que estamos vivendo e que às vezes não saem da nossa cabeça, pois precisamos resolver um problema, as obsessões são pensamentos irracionais e preocupações com coisas sem sentido e improváveis.
Compulsões
As obsessões compelem as pessoas a agir de determinadas maneiras que são repetitivas e às vezes ritualísticas, comportamentos que chamamos de compulsões. Os rituais compulsivos trazem alívio temporário da ansiedade, pois visam impedir que aconteçam as coisas ruins que passam pela cabeça da pessoa (as obsessões).
Lavar-se de forma repetitiva ou prolongada para remover contaminações; checar repetidamente a fim de garantir que a resposta esteja correta ou evitar roubo, incêndio ou perdas; ações ou pensamentos repetitivos que visam prevenir algo ruim; contagens de objetos e necessidade de organizá-los de uma maneira específica; dificuldade de jogar fora coisas inúteis são as compulsões mais comuns.
Existem compulsões que são realizadas apenas mentalmente e podem não ter nenhuma manifestação observável no comportamento, como é o caso de revisar conversas interminavelmente, usar pensamentos “bons” para neutralizar pensamentos “maus”, fazer uso de palavras ou frases especiais para neutralizar obsessões, rezar, substituir mentalmente palavras indesejadas por outras de sentido oposto.
Na maioria das vezes, as pessoas admitem que esses pensamentos e comportamentos são irreais, excessivos e sem sentido, mas mesmo que se esforcem, não conseguem pará-los. Em casos graves, os pensamentos obsessivos e rituais compulsivos consomem muito tempo do dia da pessoa, podendo inviabilizar suas atividades e tornar seus relacionamentos tensos e conflituosos.
Tratamento
Os sintomas do TOC oscilam ao longo da vida e aumentam visivelmente em períodos de maior estresse. Os portadores geralmente demoram a procurar ajuda. Eles evitam falar sobre seus sintomas, pois estes provocam sentimentos ruins, levando-os a crer que são pessoas más, portadoras de algum desvio de caráter e que este possa levá-las a colocar em prática os pensamentos que têm.
A associação de farmacoterapia e terapia cognitivo-comportamental (TCC) é o tratamento que obtém melhores resultados para o TOC, podendo reduzir significativamente ou eliminar por completo os sintomas de mais de 80% dos portadores. Os resultados da TCC com pacientes com TOC dependem da disposição da pessoa para enfrentar seus medos, pois só assim conseguirão se livrar das compulsões.
Psicóloga, doutoranda em Linguística (PUC Minas, bolsista pela Fapemig), mestre em Ciências da Saúde (UFMG), pesquisadora em cognição e linguagem. Concentra seus estudos nas questões relativas à linguagem em psicoterapia. Professora em cursos de capacitação de psicoterapeutas e de Especialização em Terapias cognitivas da UFMG.
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