06/03/2014

Igreja Católica celebra 1º dia da Quaresma

Missa das Cinzas marcou o início do período que, para os católicos, simboliza tempo de renovação
Image-0-Artigo-1560315-1Para a Igreja Católica, o tempo agora é de conversão e renovação da fé Cristã. É preciso se preparar em oração para a grande festa que se aproxima, a Páscoa. O primeiro dia do período de 40 dias da Quaresma foi celebrado, na noite de ontem, na Catedral Metropolitana de Fortaleza, com a realização da missa de cinzas, presidida por Dom José Antônio Aparecido Tosi Marques, arcebispo de Fortaleza.
O primeiro dia após o Carnaval não desanimou os fieis, que lotaram a Igreja da Sé, no Centro da Capital, em busca de uma preparação para o período da Quaresma. O dever de conversão e da mudança de vida é simbolizado pelos católicos para recordar a fragilidade da vida humana. Na Quarta-feira de Cinzas, assim como na Sexta-feira Santa, a Igreja Católica recomenda o jejum de carne, com o propósito de fazer com que os cristãos tomem parte do sacrifício de Jesus Cristo.
"Na Páscoa, todo ano celebramos o aniversário da entrega da vida de Jesus, que morreu por nós, foi sepultado e ressuscitou, e daí essa vida nova é anunciada como evangelho para o mundo inteiro, então esse presente ninguém pode nos dar, essa novidade é única, e é ela a razão da nossa fé, por isso nós buscamos nos preparar na oração, na caridade, na renovação da vida, na conversão da vida durante esses 40 dias de um modo especial pra celebramos a festa da Páscoa", explicou o arcebispo Dom José Antônio.
Segundo ressaltou, durante o período que se inicia, mudam-se muitos detalhes da liturgia, como, por exemplo, as vestimentas na cor roxa dos sacerdotes. "Significa que estamos vivendo um tempo de austeridade, que se vive no jejum, para ter com que partilhar com quem não tem, e na oração, para abrir o coração a Deus e às coisas espirituais mais do que viver buscando satisfazer só com coisas materiais", disse.
Caminhada
Durante a homilia, o arcebispo ainda lembrou que a caminhada de 40 dias em busca da conversão e renovação não deve ser questão de aparência, e sim de coração. "Jesus nos chama atenção que a verdadeira oração deve marcar nosso tempo de preparação para a Páscoa. A renovação da nossa vida em Cristo deve ser aquela vinda do coração".
Durante a celebração, os fieis receberam as cinzas em forma de cruz, na testa, em sinal de penitência, representando o desejo de conversão e a vida nova que Jesus tem para ofertar. "A Quaresma representa a própria vida. A gente pensa que a vida material é muita coisa, mas hoje, amanhã ou depois a nós viramos cinzas, e o resto fica com o Criador para nos julgar", disse o funcionário público Francisco Ramos, 65.
Segundo ele, a educação religiosa que recebeu da família desde muito jovem foi determinante para entender a importância do período, e assim passar os ensinamentos aos filhos. "Minha mãe sempre dizia que se eu fosse ao carnaval, não poderia esquecer de receber as cinzas na Quarta-feira. Hoje eu vi que a realidade maior é Jesus como nosso maior Deus", comentou.
Aberta Campanha da Fraternidade

Durante a celebração da Missa de Cinzas, na Catedral Metropolitana, a Arquidiocese de Fortaleza promoveu o primeiro momento da abertura da Campanha da Fraternidade 2014, que tem como tema, escolhido pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), "Fraternidade e Tráfico Humano". Haverá, ainda, a abertura da CF-2014 na tarde de hoje, no Centro de Pastoral "Maria, Mãe da Igreja", com representantes de setores eclesiais e civis relacionados a problemática.

O objetivo da Campanha é identificar as práticas de tráfico humano em suas diversas formas e denunciá-lo como violação da dignidade e da liberdade humana, mobilizando toda a comunidade cristã e a sociedade brasileira a combater esse mal.
"É preciso fazer a sociedade perceber essa chaga que aflige a todos nós, para que uma pessoa não seja considerada como mercadoria", destacou o pároco da Catedral de Fortaleza, padre Clairton Alexandrino.
Segundo ele, não tendo, propriamente, os instrumentos técnicos para combater o problema, a Igreja trabalha buscando a conscientização através de palestras, cursos, divulgação e da conscientização do valor que cada pessoa tem. "Assim ela vai apresentando esses valores e iluminando essa realidade com a luz do evangelho", diz.
O arcebispo de Fortaleza, Dom José Antonio Aparecido Tosi Marques, ressalta, também, que o problema não diz respeito apenas ao tráfico internacional como crime organizado, mas o tráfico do dia a dia, quando as pessoas se aproveitam umas das outras. "É preciso olhar bem, cada pessoa deve ser respeitada na sua dignidade, como o próprio Deus nos ensinou", afirma.
Renato Bezerra
Repórter
Diário do Nordeste

Nenhum comentário :

Postar um comentário