Depois de três meses consecutivos de alta, a taxa de desemprego voltou a cair na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) em abril chegando a 7,6% da População Economicamente Ativa (PEA) - o menor patamar desde 2009. No quarto mês de 2014, o número de desempregados em Fortaleza foi de 139 mil pessoas - seis mil a menos em relação a março (145 mil) e 18 mil abaixo do contingente de trabalhadores na fila do desemprego em relação ao ano passado.
Enquanto isso o nível ocupacional na RMF experimentou leve alta 0,2% no mês e de 4% no ano. O número de ocupados chegou 1,69 milhão de pessoas, significando quatro mil ocupados a mais em relação a março desse ano. Na comparação com igual mês do ano passado, foram 65 mil ocupações a mais.
Os dados são da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), divulgada ontem pelo Instituto de Desenvolvimento do Trabalho (IDT). O levantamento revelou também que o tempo médio de recolocação dos desempregados no mercado de trabalho tornou a cair, chegando a 24 semanas - o menor tempo da série histórica da PED, que foi iniciada em dezembro de 2008.
Privados
Em contrapartida, os empregos com carteira assinada interromperam sua trajetória de alta no setor privado, caindo 0,4% no mês, de 760 mil em março para 757 mil em abril. Já os empregos sem carteira registraram 4,6% de alta no mesmo período, com o acréscimo de mais oito mil oportunidades de trabalho entre março e abril, totalizando 183 mil empregos sem carteira. O número de autônomos também aumentou em abril. Foram seis mil a mais face a março, somando 438 mil autônomos na RMF.
Setores
Em relação às atividades econômicas, apenas o setor comércio e reparação de veículos apresentou queda de 3,1% no comparativo mensal, com o fechamento de 13 mil vagas na RMF em abril, de 420 mil para 407 mil. Na contramão do comércio, a indústria de transformação abriu seis mil postos, totalizando 308 mil ocupações. A construção civil também gerou seis mil novos postos chegando a 149 mil ocupados no referido mês. Já os serviços criaram mais quatro mil vagas, somando 791 mil ocupações no mês de abril.
Para Erle Mesquita, analista do mercado de trabalho do IDT, os números indicam que, apesar do arrefecimento da economia, o mercado de trabalho de Fortaleza vai ter bons resultados para os próximos meses, principalmente devido a Copa do Mundo e as eleições.
"A taxa de desemprego começa a cair mais cedo esse ano, já no mês de abril. Isso é muito positivo. Apenas o setor de comércio apresentou retração nos postos de trabalho, mas se comparar anualmente todos os setores tiveram resultados positivos. Então nós temos todos os indicativos que nos próximos meses teremos taxas de desempregos mais baixas associadas a expansão de uma retomada da oferta de postos de trabalho".
Segundo ele, outro dado que reforça essa visão otimista é a redução do tempo médio de procura por trabalho para 24 semanas. "Quando a gente começou a pesquisa em 2008 esse tempo era de 48 semanas. Ou seja, a metade. Então mostra que apesar da adversidade de a pessoa ficar desempregada, esse trabalhador, de maneira geral, vem conseguindo se inserir mais rapidamente no mercado de trabalho", salienta.
Erle Mesquita chama a atenção ainda para a média do tempo que metade dos desempregados da FMF permanecem no desemprego que está em 13 semanas. "Esse dado mostra que políticas como o seguro desemprego estão conseguindo suprir a necessidade do desempregado no período em que ele está buscando se recolocar no mercado de trabalho. Antes de 2004 eles passavam mais de sete meses desempregados. Ou seja, o seguro desemprego não cobria aquele período que o trabalhador estava momentaneamente afastado do mercado de trabalho", explica.
Precarização
De acordo com Ediran Teixeira, responsável pela PED no Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o nível ocupacional tende a continuar crescente em 2014 em virtude da Copa do Mundo e das eleições, mas a tendência de precarização tende a se intensificar.
Ângela Cavalcante
Repórter
Comissão aprova carteira eletrônica
Brasília. Os senadores da Comissão de Assuntos Sociais aprovaram ontem uma proposta para permitir que trabalhadores adotem o uso da carteira de trabalho eletrônica. O projeto, de autoria do senador licenciado Blairo Maggi (PR-MT), prevê que a emissão do documento eletrônico será opcional do empregado, com a obrigação de autorizar seu uso por escrito. Como foi aprovado em caráter terminativo, o texto seguirá diretamente para a apreciação da Câmara dos Deputados. Isso só não vai ocorrer, de acordo com o regimento interno do Senado, se houver recurso de senadores para levar a matéria para apreciação do plenário.
O projeto deixará para o Ministério do Trabalho e Emprego a competência para regulamentar o formato do documento eletrônico e como será realizada a transferência de informações contidas na carteira de trabalho de papel para o meio eletrônico. O senador Armando Monteiro (PTB-PE), relator da matéria e ex-presidente da Confederação Nacional da Indústria, deu parecer favorável à proposta.
Contudo, o parecer de Armando Monteiro aprovado pela comissão excluiu duas proibições sugeridas pelo projeto original de Blairo Maggi: a vedação dos empregados de acessar informações sobre outros empregos do trabalhador e a necessidade de uma autorização prévia do trabalhador para que órgãos e entidades da administração indireta dos entes federados acessassem o documento eletrônico.

Diário do Nordeste
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