19/08/2014

Sedentarismo mata mais do que obesidade

Em 2004, o sedentarismo era o quarto fator de risco e hoje é o segundo.
Sedentarismo é um vilão que leva à obesidade.
Embora nunca tenha se falado tanto sobre vida saudável como hoje, é contraditório o aumento do número de pessoas sedentárias, que não gastam o que consomem. "Isso acontece porque não há uma percepção de que o sedentarismo mata. Para as pessoas, o que mata é a hipertensão, o diabetes e o câncer", afirma a médica Sandra Matsudo, do Centro de Estudos do Laboratório de Aptidão Física de São Caetano do Sul (Celafiscs).

Segundo a pesquisa, uma média de seis horas todos os dias sentado em frente ao computador ou à TV corresponde a cinco anos a menos de expectativa de vida. "A orientação é se movimentar por 10 minutos a cada uma hora sentado. Atender ao telefone andando ou colocar o notebook numa mesa mais alta para digitar em pé são boas dicas para quem trabalha em escritório", sugere.

Em 2004, o sedentarismo era o quarto fator de risco e hoje é o segundo, perdendo apenas para a hipertensão arterial. E nem sempre o sedentarismo está relacionado ao excesso de peso, uma vez que a inatividade já se tornou um fator de risco mais grave do que o peso. "No geral, um gordo ativo tem menos risco de morte do que um magro sedentário", afirma.

Nos tempos atuais, gasta-se uma caloria a cada sete consumidas. Na Era Paleolítica, essa relação era de uma gasta a cada três consumidas. "Acredito no equilíbrio. As pessoas têm que buscar o seu balanço energético, ou seja, gastar o que consomem. Não tem mágica para isso, é uma simples conta", resume ela.

Segundo a especialista, o estilo de vida é responsável por 50% das causas das principais doenças que mais matam, como infarto, AVC e câncer. "Temos 50% de chance de evitar essas doenças. Basta optar por mudanças de hábitos que incluam atividades físicas", avalia.

A recomendação é de pelo menos 30 minutos de atividade física moderada, de forma contínua ou acumulada ? duas sessões de 15 minutos ou três sessões de 10 ? pelo menos cinco vezes por semana. "Essa rotina diminui em 84% os riscos de infarto e em 36% os casos de câncer, além de reduzir os riscos cardiovasculares e de hipertensão, mesmo no caso de fumantes", ressalta.

Para a médica, "não há uma área da medicina em que a atividade física não esteja relacionada a benefícios à saúde, tanto como prevenção quanto tratamento. E isso se aplica também a crianças e idosos", conclui.

Dom Total

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