Padre Geovane Saraiva*
O
clamor missionário da Igreja penetrou no coração do mundo no decorrer
dos séculos em toda sua plenitude, em especial, na figura exemplar do
apóstolo Paulo, com todo seu ardor e compromisso, através do anúncio do
Evangelho, muito claro na seguinte afirmação: “Ai de mim se eu não
evangelizar!” (cf. Cr 9, 16). Chamado e convocado pelo Senhor
ressuscitado, a caminho de Damasco, para a missão de ser mestre dos
gentios ou doutor dos pagãos. Paulo uma vez resgatado compreendeu o
preço de ser seduzido por Deus, como tão bem diz São Pedro: “Foste
resgatado não das coisas corruptíveis, ouro ou prata, mas pelo precioso
sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e sem defeito algum”
(cf. 1Pr 1, 18).
Tendo Paulo como exemplo e referência de vida, somos convidados pelo
mesmo Deus que entrou em cheio na vida do mestre das nações, a construir
e edificar o reino, mesmo com os nossos pecados. As fontes, nas quais
devemos buscar forças para fecundar nossa vida, são a Palavra de Deus e a
Eucaristia. E por falar em Eucaristia, é nosso dever saber sempre mais,
que a mesma está em união, em um mistério indizível, com Cristo Deus e
Homem e quão enorme deve ser nosso amor, respeito e devoção com Esse
sacramento; sem esquecer jamais que “quem comer deste pão viverá
eternamente e ressuscitará gloriosamente no último dia” (cf. Jo 6, 54).
O Papa Francisco, nas suas celebrações eucarísticas matinais, como ajuda
a humanidade a entrar em um clima de fé e esperança sempre maior, só
para ser mais concreto, aos 06/08/2014, expressou-se assim: “Na
Eucaristia comunica-se o amor do Senhor por nós: um amor tão grandioso
que nos nutre com Ele mesmo; um Amor gratuito, sempre à disposição de
cada pessoa faminta e necessitada de regenerar as próprias forças. Viver
a experiência da fé significa deixar-se alimentar pelo Senhor e
construir a própria existência não sobre os bens materiais, mas sobre a
realidade que não perece; os dons de Deus, a sua Palavra e o seu Corpo”.
Como aprender da Eucaristia, sacramento divino? Temos o dogma da
transubstanciação, no qual se fundamenta todo o edifício eucarístico,
como sacrifício do Cordeiro de Deus, também como sacramento. É
importante que fique sempre claro que as substâncias do pão no corpo de
Jesus e do vinho no mesmo sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo permanecem
inalteradas nas espécies do pão e do vinho. Ora, devemos de modo
sobrenatural, transformar-nos em Cristo como o pão se transforma no
corpo de Cristo e o vinho no Seu sangue. É com enorme sabedoria que o
Cardeal Aloísio Lorscheider explica: “Transformar-nos em Cristo como o
pão se transforma no corpo de Cristo e o vinho no Seu sangue. E disse
mais: Essa transformação deve, sobretudo, ser interna, uma vez que as
espécies se conservam inalteradas. É o íntimo que deve tornar-se outro”.
O Deus que nos ama de modo incondicional, e que demonstrou esse imenso
amor para conosco, ao enviar o seu Filho Unigênito, encarnado no seio da
boa mãe Maria, quer nosso reconhecimento alegre e agradecido, pelo dom
da palavra de Deus e da Eucaristia, traduzidos em gestos fraternos e
solidários.
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