Escrita por Caetano para que ele e Gilberto Gil a gravassem juntos no álbum Tropicália 2 (1992), Caetano definira no seu livro “Sobre as Letras”, que essa música “é uma celebração, um samba sobre o samba. Gosto muito da ideia de que 'o samba ainda não chegou / o samba ainda vai nascer', porque é uma coisa que está no João Gilberto e que é completamente oposta à posição dos protecionistas que defendem uma espécie de reserva indígena do samba. Nessa canção o samba é um projeto de Brasil, e eu gosto disso”.
A Tristeza
Substantivo feminino que exprime um estado ou qualidade de triste; falta de alegria; melancolia, define o vernáculo. Recorrentes na história do samba, a tristeza e a dor são cartas na manga para inspirar os compositores. Foram usadas por Vinícius em seu “Samba da Benção”, no qual “para fazer um samba com beleza / é preciso um bocado de tristeza”, assim como por Nelson Cavaquinho, com “tire seu sorriso do caminho / que eu quero passar com a minha dor”, e arramatadas por Caetano, em “a tristeza é senhora / desde que o samba é samba é assim...o samba é filho da dor / o grande poder transformador”.
Caetano, no entanto, prefere destacar os versos “o samba ainda não chegou, o samba ainda vai nascer”, afirmando que nessa canção o “samba é um projeto de Brasil”. Ainda em seu livro “Sobre as letras”, Caetano escreve sobre “um grande presente” em sua vida que foi João Gilberto ter gravado “Desde que o Samba é Samba”. “Isso parecia impossível porque o João sempre esteve vacinado contra esse tipo de samba, que tem muitos cacoetes, que tem pinta de clássico,
instant classic, cuja intenção vê-se logo”.
“No entanto – prossegue Caetano em seu livro – ele fez uma coisa linda e o samba só então ficou sendo realmente o que as pessoas diziam – o que parecia uma ideia cafona: um clássico”. (RB)
do site da Rádio Vaticano
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