27/11/2015

Morte: a resposta da fé

A morte significa que a vida não é eterna, e a ressurreição significa que a morte não é eterna.



Por Dom Leomar Brustolin*


A consciência da mortalidade leva a pessoa ao desejo de imortalidade. Os animais desejam sobreviver, querem viver e resistem aos desafios que os levam à finitude. Os seres humanos, mais do que sobreviver, não querem morrer. É uma inquietude que permanece no coração humano, refratando as hipóteses de um dia não mais existir. A vida é um valor tão absoluto para as pessoas que a possibilidade de seu fim desencadeia um desejo de transcender à passagem do tempo cronológico.


Inicialmente, pode-se pensar que Deus e a morte são duas realidades incompatíveis, isso, porém, não significa que sejam incomunicáveis. Jesus não morreu de morte natural, mas crucificado: foi assassinado, morto como uma vítima inocente. Deus se envolve estreitamente com quem morre, porque Jesus fez essa experiência.


O pensamento bíblico não nasce de uma experiência ou meditação sobre a morte. É diante de Deus que o homem bíblico toma consciência da morte. O discurso sobre Deus na Bíblia não se relaciona ao medo de morrer, mas à responsabilidade de viver. A ressurreição de Jesus Cristo foi uma surpresa absoluta para os discípulos. É evidente que a ressurreição supera infinitamente toda espera humana, toda previsão e imaginação. 


O Ressuscitado não é um sobrevivente, por isso os discípulos demoram a reconhecê-lo, diferentemente de Lázaro, cujo ressuscitamento produziu o reconhecimento imediato e geral. Este último voltou a viver confinado à velha criação. Jesus Cristo, ao contrário, ressuscita e aparece na potência da nova criação. Ele é um homem novo, o primogênito da nova criação, o início da nova humanidade. A morte significa que a vida não é eterna, e a ressurreição significa que a morte não é eterna. Somente a vida nova é eterna.


Este é o sentido de nosso ser mortal: uma vida alienada de Deus não tem futuro. Eternizar esta vida seria eternizar suas contradições, suas culpas, o mal praticado e sofrido: seria eternizar a morte. Pelo fato de nossa vida ser mortal e limitada, somos levados a desejar uma vida que dure para sempre, por isso deve ser mudada, transformada.



CNBB 20-11-2015

*Dom Leomar Brustolin é bispo Auxiliar de Porto Alegre.


Morte: a resposta da fé

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