05/02/2012

«A economia global está crucificada e não sabe»

«Não tenho respostas» para a crise, começou por assumir o orador da conferência. A trabalhar na área da Ética com gestores e empresários que vivem a vertigem do «medo» e «vulnerabilidade», John Dalla Costa defendeu que «a crise não é só económica, é de consumo». A uma plateia de amigos do Instituto Missionário da Consolata e jovens empresários fatimenses, a conferência foi promovida pelos missionários da Consolata, o fundador do Center for Ethical Orientation salientou que «a grande dinâmica», atualmente, é o «medo».

Nesta altura de «desespero», o investigador e autor de livros defende que «podemos olhar para alternativas» à crise atual e «criar esperança». Mas «dá muito trabalho» e é «um desafio», assume. Nesta tarefa de «criar esperança juntos», o docente canadiano sublinha que «todos temos responsabilidades». O tempo de crise é então a oportunidade de perguntarmos «o que queremos mudar».

Em Portugal para falar sobre a relevância da sustentabilidade em comunicação, numa conferência promovida pela Associação Portuguesa de Anunciantes, John Dalla Costa salientou que o Papa antecipou a crise. As encíclicas «Spe Salvi (2007)» e «Veritas in caritate (2009)», escritas para dar respostas, a primeira delas já foi escrita «em crise de desespero», assinalou o professor.

Bento XVI «viu o que estava a acontecer nas famílias, nas comunidades» e que «de querer mais e mais, as pessoas estavam mais vazias», apontou. Para fazer face à crise, um dos mais conceituados especialistas em matéria de desenvolvimento sustentável, não só no contexto social mas também numa perspetiva empresarial, aposta na caridade, na confiança e na verdade como solução.

«Sem confiança não podemos criar nada», advertiu o orador, lembrando que as pessoas não confiam nos políticos nem nos empresários. Mas que para alterar esta situação é necessário «tempo» e requer «ouvir, falar e ter respostas». Exige «caridade e estar abertos à experiência de outros» para a construção de um mundo melhor.

Primeiro é necessário o reconhecimento que as pessoas têm cada vez menos tempo com a família, porque trabalham muito. E no entanto, muitos jovens têm os sonhos desfeitos porque, apesar da formação, não têm emprego. O professor que também se encontra a escrever um livro e trabalha num projeto de «Verdade e Reconciliação» exortou cada um a questionar-se sobre «O que lamenta?».

Deixar as atitudes de interesse próprio e porque «os políticos não têm soluções», John Dalla Costa refere que é o tempo de «voltar a ter valores que já não temos». O canadiano recusa a austeridade, por si própria, mas aposta na simplicidade da vida, com o regresso ao consumo de produtos produzidos localmente, «como os nossos pais», por exemplo.

Fatimamissionaria

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