28/02/2012

Roma: passeio cultural acompanhado de vários sotaques

 

Quer se encontrar? Se perca em Roma! Muitas pessoas por aqui reproduzem essa espécie de mantra. O que não deixa de ser verdade. Até se perder em Roma é um ganho. Não há uma só via que não resplandeça cultura. Na contramão do patrimônio artístico e histórico, está a crise que afeta a Europa. Na Itália, a onda pessimista que assombra o velho continente é perceptível. Em muitas esquinas pedintes dividem a cena com pichações que criticam o governo. Frases como “Aumentare i prezzi e ridurre i nostri diritti”, com livre tradução significa “Aumentam os preços e diminuem nossos direitos”, refletem os ânimos dos italianos.
Mesmo desanimados com essa tensão social e econômica, o comércio tenta dar impulso e sobreviver diante das garras da crise. Nas portas dos restaurantes, garçons mostram cardápios e interceptam clientes ainda na rua. Nas lojas, vendedores são atenciosos e buscam entender várias línguas. Uma atitude que é claramente influenciada pela leva de turistas que toma conta da capital italiana. Roma, nessa época do ano, está “dominada” por visitantes.

Cidade eterna. Terra de vários sotaques.
Dentro dessa turma de turistas, os asiáticos se sobressaem. É praticamente impossível não encontrar um asiático que seja, passeando e tirando fotos. Em regra, andam em grupos de excursão, mas também há os solitários que surgem sozinhos nos principais pontos turísticos.
No entanto, embora em maioria, os asiáticos são apenas uma parte ética que visita a Cidade Eterna. Andando pelas vias de Roma, quase não dá para escutar o sotaque italiano. É difícil distinguir de onde são tantos idiomas que se misturam ao som do violoncelo que toca nas calçadas e ao eco dos transeuntes que andam apressados na expectativa de registrar o máximo possível as belezas culturais da capital italiana.
Pontos altos
Elencar pontos altos da cidade é tarefa fácil. Cada canto é um achado histórico e um aprendizado cultural. O Coliseu (maior anfiteatro Romano onde aconteciam combates mortais entre gladiadores e animais selvagens) está em muitos livros, mas entrar e tocar nas pedras antigas traz ao presente uma história que é um legado da humanidade. É quase possível visualizar, mesmo que influenciado pelo filme Gladiador, os embates mortais entre os lutadores e os animais na arena.
O brasileiro, estudante de arquitetura, Delano Dias, afirmou que, embora tenha estudado sobre o Coliseu, não estava preparado para encarar a magnitude do lugar. “Qualquer pessoa ficaria impressionado frente ao Coliseu. Mas, como estudante de arquitetura, a emoção parece ser em dobro. Em forma elíptica, essa construção, datada de 70 dC, aproximadamente, finalizada em 80 dC, congrega séculos de história e técnicas impressionantes de arquitetura. Com mais de 460 metros de comprimento, o Coliseu, além de obra de arte, é um patrimônio da humanidade, que deve ser estudado e preservado”, reflete o estudante.

Continuando o passeio, o turista pode cair de amores ainda pelo monte Palatino, uma das sete colinas de Roma e hoje um museu a céu aberto, e o Fórum Romano, antigamente o principal centro comercial da Roma Imperial. Ali havia lojas, praças de mercado e de reunião. Hoje é uma atração a parte e parada obrigatória por quem visita a Cidade Eterna.
Entre as piazzas (praças), se destaca a Spagna, Venezia e Navona, esta última com uma efervescência artística que seduz o mais cético dos turistas. Para os amantes de tradição, há ainda a Fontana di Trevi (Fonte dos Trevos), um lugar especial, além de ser uma das maiores fonte da Itália com influência barroca, onde reza a lenda que ao jogar uma moeda fica garantido o retorno a Roma. Vale a pena jogar uma moeda, afinal a capital italiana pede infinitos “bis”.
Atualmente, uma das capitais mais culturais do mundo sente o abraço amargo da crise. O comércio está nitidamente ansioso em agradar os turistas, enquanto muitos nativos sofrem com o frio rigoroso nas calçadas. Sim, aqui há muitos sem tetos e pessoas na rua pedindo esmolas. Para uma cidade que guarda relíquias históricas em cada esquina, o retrato da crise europeia torna-se ainda mais cinza.
Contudo, Roma não leva o nome de Cidade Eterna a toa, cada canto é um capítulo da humanidade. Se perca em Roma, em meio à miscelânea de sotaques, e descubra um pouco da nossa própria história. (Cely Fraga, de Roma)
Fonte: Agência da Boa Notícia - (fone: 85 3224 5509)

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