22/02/2012

Vaticano: uma face da fé


Independente do credo, ou falta dele, a cidade do Vaticano (cidade=estado murada e encravada dentro da cidade de Roma, capital da Itália), sede da Igreja Católica, transpira história por cada pedra dos altos muros que a cercam e revela uma das faces da fé. Ali, na Praça de São Pedro, milhares de pessoas, entre turistas e peregrinos, dividem o santuário e compartilham a força espiritual que emana do lugar. Mesmo enfrentando críticas referentes aos dogmas defendidos pela Igreja, o Vaticano, na sua imponência arquitetônica, histórica e religiosa impacta e emociona à primeira vista. O sentimento inicial é de reverência. O segundo momento é o questionamento. O que esconde essa construção que deixa marcas invisíveis até no espectador mais alheio a narrativa da fé cristã? O mistério é a mágica do lugar. Melhor que achar as respostas é descobrir, palmo a palmo, a beleza e o encanto do Vaticano.
De passagem pelas principais cidades italianas, a estudante espanhola, Sofia Sanches, frisou que a cidade governada pelo Papa Bento XVI era o ponto alto de sua viagem. Católica fervorosa, Sofia revelou sua emoção diante da construção que abriga, entre suas paredes, séculos de devoção cristã, além de valiosas obras de arte. “Quero muito assistir uma missa celebrada pelo Papa. Mas, não tenho como descrever o que senti ao visitar algumas partes do Museu. Ainda não tive tempo de explorar tudo, porém, o que vi até agora me deixou emocionada. Olhar para o teto da Capela Sistina e saber que aquela representação da criação do mundo e do juízo final foi feita de forma tão perfeita por apenas um homem é uma sensação arrebatadora”, comenta a estudante.
Os afrescos no teto da Capela Sistina foram feitos por Michelangelo. A obra é dividida em dois momentos. O primeiro, entre 1508 e 1513, onde o artista mostrou contrariedade em desenvolver as pinturas, pois se considerava um escultor, por excelência. No entanto, contratado pelo Papa Júlio II, sobrinho do Papa Sisto IV, o artista dispensou ajudantes e realizou sozinho o grandioso trabalho. O perfeccionismo de Michelangelo provou, posteriormente, ser um acerto, pois o resultado ofuscou muitas obras-primas criadas antes e depois. Na primeira fase ele pintou a criação do mundo, onde se destacam Deus separando luz e treva,  terra das águas, o sol e a lua e um dos mais impactantes, Deus criando Adão.
A segunda fase, entre 1535 e 1541, sob o pontificado de Paulo III, traz novamente Michelangelo à cena da Capela Sistina. Dessa vez, o artista, pinta na parede do altar da Capela a representação do Juízo Final. É uma das obras mais espetaculares da história da arte. Cada pincelada revela a potência artística de Michelangelo, que para realizar esta obra apagou outras como a primeira cena da vida de Cristo, a Virgem de Assumpção de Perugino e os primeiros retratos de Papas, além de outras pinturas de sua autoria. O conceito da pintura revela Cristo como o juiz que escolhe aqueles que irão para o Céu e os condenados que não conseguirão a
Nas duas fases o artista teve fortes embates com os pontífices que o contrataram. Se de um lado é possível perceber a influência papal da época nas obras, por outro é visível o olhar crítico e as pinceladas minuciosas de Michelangelo. Dos dois olhares, resultaram obras que atravessam gerações, estampam páginas de livros e tocam pessoas do mundo todo. (Cely Fraga)
Fonte: Agência da Boa Notícia - (fone: 85 3224 5509)

Nenhum comentário :

Postar um comentário