Centenário de Nascimento de Dom Francisco Hélio Campos (1912- 2012).
"Eu preciso viver aquilo em que eu creio", dizia o homem de Deus, Dom Hélio Campos.
Ele teve a feliz iniciativa de trazer, por primeiro para o Brasil, início na cidade de Fortaleza, nos idos de 1959, a Espiritualidade do Bem Aventurado Charles de Foucauld, baseada nos seguintes aspectos: A conversão permanente, a Eucaristia como ponto central, a oração do abandono, o Evangelho da cruz e a busca do último lugar.
A Fraternidade Sacerdotal Jesus+Caritas, o
Instituto Secular Charles de Foucauld e o Instituto Sodalício Carlos de
Foucauld, convidam para um dia reflexão e ação de graças, dia 24/07, por
ocasião do centenário de nascimento de Dom Francisco Hélio Campos, encerrando com a Santa Missa as 18horas, na Paróquia de Santo Afonso, 2733 –
Parquelândia – Fortaleza – Ceará.
Eis o que disse seu irmão Gerardo Campos, professor,
escritor e poeta da mais elevada qualidade, +23 de janeiro 1975, ocasião
da sua partida para junto do Pai - numa morte prematura:
Os pobres chorarão a sua morte
Depois hão de sorrir à liberdade
Que você defendeu, de pulso forte,
Preso à justiça, à Fé e à caridade...
Também os ricos sofrerão saudade,
Na doação dotal de SUA vida
Lembrando que a Real Felicidade
Consiste na riqueza dividida...
Como estrela cadente, o seu Exemplo
Deixou rastros de luz ao se pagar...
Se o Lar de nossos Pais tornou-se um Templo
Você foi mais um Santo em seu Altar...".
Pe. Geovane Saraiva *
Aqui no Ceará, no século passado, a Igreja Católica
foi prodigamente favorecida com o ministério e a ação pastoral de um grande
sacerdote, que estamos a comemorar seu centenário de nascimento. Nascido em
Quixeramobim, aos 24 de julho de 1912, e ordenado em 05 de agosto de 1937,
procurou encarnar o projeto daquele que constantemente está nos dizer:
“Alegra-vos! Não tenhais medo!” (Mt 28, 9). Trabalhou incansavelmente nas
Paróquias do Mocuripe, Senador Pompeu e Pedra Branca. Em 1958 assumiu, deixando
marcas profundas, a Paróquia do Pirambu, na cidade de Fortaleza.
Trata-se Padre Francisco Hélio Campos. Para ele, os
pobres eram por demais preciosos e estavam não só na sua mente e no seu
coração, mas concretamente no centro do seu trabalho eclesial, dando-lhes extrema
importância, pois através deles, a Igreja se aproximava e se fortificava no seu
sonho maior, no sentido de se manter viva e fiel ao espírito do Evangelho,
consciente de que o salutar processo de evangelização, no tempo vivido por ele,
tinha que se transformar num processo de discernimento. Com o apoio decisivo do
Padre Hélio a comunidade do Pirambu ganha visibilidade, sendo fortalecida e
tendo forças, recebendo um caráter cristão, tendo por base os princípios da
doutrina social da Igreja.
Como o ponto alto, em janeiro de 1962, acontece a
grande marcha do Pirambu, reunindo uma multidão em direção ao centro da cidade
de Fortaleza, reivindicando o acesso à terra e melhores condições de maradia e
vida digna daquela população profundamente marcada pelo sofrimento. Depois lhe
foi confiado, em 1969, à paróquia de Mondubim. Logo lhe chegou à coroação de
todo seu trabalho, três meses depois, ao ser nomeado bispo da Diocese de Viana,
no Maranhão. Infelizmente seus sonhos e projetos de bispo novo, desejoso de colocar
em prática as resoluções do Concílio Vaticano II (1962-1965), foram
interrompidos, “domino volente”, com a sua morte prematura, aos 23 de janeiro
de 1975.
É deste modo que compreendemos o caminho do homem que
descobre a Deus, que se assemelha a árvore plantada junto d’água corrente: dá
frutos no tempo devido e suas folhas nunca murcham; tudo o que ele faz prospera
e é bem sucedido, simbolizando a vida e a felicidade de quem trilha o caminho
da lei de Deus (cf. Sl 1, 3). Temos consciência de um Deus, inefável mistério,
que caminha conosco na história, embora não esteja com sua presença física, mas
está sempre presente, sem nunca abandonar o seu povo.
O mundo atual reconhecerá Cristo à medida que os
cristãos, a comunidade dos batizados, dos que querem viver a sua fé, na
partilha do pão do dia a dia, o pão do trabalho, da cultura, da educação e da
saúde. Tudo isso significa compromisso com a justiça, a paz e a solidariedade,
na defesa de todas aquelas pessoas, as quais vivem a margem dos bens da
criação, mas por vontade do criador e Pai, destinados a todos.
Dom Hélio Campos, com seu coração dadivoso, na sua
sólida origem religiosa e na sua personalidade extraordinário, colocada a
serviço do reino, devemos muito, primeiro por seu compromisso e sensibilidade com
os empobrecidos do Pirambu. Também sua experiência pastoral neste bairro se
destacou pelo seu pioneirismo e originalidade, seja pelo seu profetismo no
trabalho promocional em favor de uma multidão de gente, seja também por ter
iniciado experiência da fraternidade sacerdotal segundo a espiritualidade de
Charles de Foucauld, trazendo para Fortaleza os espiões de Cristo, isto é,
aqueles que se infiltram no mundo do trabalho, favelas e demais realidades,
acreditando que o melhor modo de anunciar o Evangelho é o agir no anonimato,
proclamar o amor de Deus com a própria vida. A ideia de trazer para Fortaleza o
carisma espiritual de Charles de Foucauld coincidiu com o tempo em que foi
pároco do bairro mais pobre e violento de Fortaleza, ainda hoje estigmatizado,
o Pirambu. Dele podemos dizer: “Bem aventurados os promovem a paz, porque serão
chamados filhos de Deus” (Mt 5, 9).
Agradecemos ao bom Deus o dom da vida e o mérito do
grande Padre Hélio Campos, ao iniciar na terra alencarina a espiritualidade do
Irmão Universal Charles de Foucauld, divulgada com veemência, na década de
cinqüenta na Igreja pelo fundador dos Irmãozinhos de Jesus, o Padre René
Voillaume, sobretudo, através do seu livro “Au Coeur des Masses”, Fermento na
Massa.
Padre Hélio teve a feliz iniciativa de formar um grupo
de colaboradoras leigas, que o ajudavam no seu trabalho paroquial, iniciando
assim formalmente na espiritualidade dos Irmãozinhos e Irmãzinhas de Jesus. Ao
mesmo tempo em que convidou alguns colegas padres para fazerem parte, naquele
tempo, da União Sacerdotal Jesus Caritas, hoje Fraternidade Jesus Caritas, na
mesma década, culminando com a presença em Fortaleza dos sacerdotes Guy Riobé e
Pierre Loubier, responsáveis gerais da “União Sacerdotal Jesus Caritas”. O
próprio Padre René Voillaume, passando por Fortaleza em 1958, fez uma
conferência sobre a espiritualidade de Charles de Foucauld, na faculdade de
Filosofia, onde estudavam jovens que depois vieram a formar a fraternidade
feminina Jesus Caritas. Ainda consta que uma casa das Irmãzinhas de Jesus foi
aberta no Pirambu.
Vivemos num mundo profundamente marcado pela
auto-suficiência e pela a vaidade dos grandes feitos e êxitos da humanidade.
Como seria maravilhoso, se no processo de aprendizagem, nunca a criatura humana
se sentisse dona da verdade como algo absoluto. Padre Hélio campos foi sinal e
instrumento de Deus e dele podemos continuar aprendendo. Assim como aprendemos
do bem aventurado Charles de Foucauld (1858-1916), na sua sede de conhecer a
Deus, ao aproximar do confessionário na igreja de Santo Agostinho, em Paris, e
dizer ao sacerdote: “Padre, não tenho fé, mas venho pedir-lhe que me instrua”.
Sem lhe dar tempo de concluir, o padre ordenou: “Ajoelha-se e confessa a Deus
suas faltas. Então crerá”. Temos ainda a inconfundível presença de Maria
Nazaré. Ambos os exemplos bem que pode nos ajudar na nossa contribuição, para
que como cristãos, sejamos seguidores do Mestre, simples e humilde, mas com a
mente e o coração abertos, no sentido de observar as lições ensinadas por Jesus
e guardá-las no mais profundo do nosso ser (cf. Lc 2, 51).
Se quiséssemos sintetizar a vida do grande cearense,
Dom Francisco Hélio Campos, patrimônio de todos nós cearenses e ao mesmo tempo,
celebrar o seu centenário de nascimento neste ano 2012, poderíamos dizer que
ele foi um homem da paz, da fraternidade e da justiça, com uma profunda
compreensão do ser humano, imagem e semelhança de Deus (cf. Gn 1, 26), ao se
preocupar com os empobrecidos desta cidade de Fortaleza, e ao mesmo tempo,
acolher os espiões de Cristo, seguidores da espiritualidade de Charles de
Foucauld.
*Pe. Geovane Saraiva, sacerdote da Arquidiocese de
Fortaleza, Escritor, Membro da Academia de Letras dos Municípios do Estado
Ceará (ALMECE), e da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza
Pároco de Santo Afonso
pegeovane@paroquiasantoafonso.org.br
A marcha pelo Pirambu - Padre Hélio Campos
"Eu preciso viver aquilo em que eu creio" (D. Hélio Campos)
Francisco Hélio Campos, nasceu em 24 de julho de 1912, em Quixeramobim-Ceará, filho de Francisco Cordeiro Campos e Belarminna Gomes Campos. Foi batizado em Itatira. Seus irmãos fo ram: Gerardo Campos (padre), Hilza, Vilma e Inês (freiras), José Nanges e Raimundo Felinto. Sua ordenação sacerdotal ocorreu em 05 de agosto de 1937, na igreja da Prainha. Como sacerdote exerceu funções como: Vigário do Mucuripe, em Senador Pompeu, Pedra Branca, Mineirolândia, Jacarecanga, Pirambu (10 anos) e Mondubim. Foi Vigário Coordenador da cidade de redenção e da Matriz do Carmo, Capelão do Hospital Psiquiátrico, do Instituto Beneficente S. José, Casa de Saúde S. Gerardo e Patrono da cidade de Cascavel. Em março de 1958, assume a função de Vigário Ecônomo da recém criada Paróquia de N.Sra. das Graças, no Pirambu.
Padre Hélio foi incansável em sua luta pela socialização e evangelização do Pirambu, e no dia 01 de janeiro de 1962, praticou um ato histórico neste bairro, com a famosa "Marcha pelo Pirambu", levando cerca de 30 mil pessoas para o centro da cidade, a pé. A multidão assistiu a missa às 15 horas, na Matriz e, em seguida, foi caminhando pelas ruas até a praça da Sé, onde foram recebido pelo governador. Este fato suscitou uma alteração substancial na vida da comunidade: começou o processo de promoção do Pirambu. Padre Hélio fundou nesta comunidade o Centro Social Paroquial Lar de Todos, com a ajuda de recursos de todas as partes do mundo. Neste centro, fundou uma escola: seria as primeiras raízes do que hoje é a Escola de Ensino Fundamental Centro Educacional D. Hélio Campos. A 06 de julho de 1969 foi sagrado Bispo por D. José de Medeiros Delgado, e em 03 de agosto do mesmo ano, assumiu a Diocese da cidade de Viana, no interior do Estado do Maranhão.
Faleceu em 23 de janeiro de 1975.
Fonte:http://dhcampos.blogspot.com/2008/04/eu-preciso-viver-aquilo-em-que-eu-creio.html


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