Dom Aldo Pagotto, sss*
O IBGE divulgou o resultado dos dados aferidos pelo Censo de 2010 sobre os seguimentos religiosos no Brasil. Comparados aos dados de 2000 os católicos decresceram de 73,6% para 64,6%. Os evangélicos cresceram de 15,4% para 22,2%. Espíritas passam de 1,3% para 2,0%. Candomblistas permanecem com 0,3%. Os que não se definem por religião estabelecida passam de 7,3% para 8,0%, o que não sugere que sejam ateus. Em 10 anos os evangélicos cresceram 61%, contando com 42,3 milhões de fiéis. Os católicos recuam de 124,9 para 123,3 milhões de fiéis. Em 1970 a população católica no Brasil alcançava 91,8%. Em 2010 a percentagem de católicos no Nordeste é de 72,2% e na Região Norte recuou de 71,3% (em 2000) para 60% (2010). Os dados impactantes sugerem que a Igreja Católica se avalie, perguntando aos fiéis que dela se afastam: por quê?
Não se limitando ao Brasil, a Igreja deve ser questionada sobre a qualidade do serviço de Evangelização oferecido à população, revendo os indicativos dos seus planos evangelizadores e pastorais. O que Jesus pediu para a sua Igreja realizar? Como ela está fazendo na prática? (Mt. 28, 18s). Nesse sentido a Igreja Particular da Paraíba celebra o seu 1º Sínodo Diocesano. A finalidade é avaliar a qualidade da Evangelização praticada ao longo dos 100 anos, relançando novo planejamento evangelizador, priorizando a formação de padres e lideranças cristãs para enfrentar os desafios da mudança de época. Questionamos: quais padres e quais líderes cristãos, homens e mulheres, estão capacitados para evangelizar nos novos tempos.
Até há pouco tempo a Igreja mantinha hegemonia. Hoje ela se encontra ao lado de denominações em crescimento. A Igreja deve aceitar o processo avaliativo e prospectivo, traçando metas e cobrando resultados, como se faz numa consultoria permanente. Pedimos luzes, força e coragem ao Senhor, que nos ajude a colocar a Palavra de Deus no centro de nossa vida e de nossa ação evangelizadora; que o Mistério da Salvação em Cristo celebrado na Liturgia leve-nos ao compromisso de formar autênticas comunidades cristãs; que o ardor da Caridade de Jesus nos torne generosos e disponíveis às obras de promoção da vida humana e de inclusão social.
O desafio que se coloca às Igrejas cristãs e não somente à Igreja Católica é testemunhar os valores cristãos na sociedade atual, cada vez mais secularizada. Os conceitos sobre fé e religião têm significados plurais, relativos. A mudança de época assume estilos de pensamento e ação equidistantes dos valores do Evangelho de Jesus. A sociedade de consumo prescinde da fé e da religião. A prioridade de cada indivíduo é a busca da própria realização e bem-estar. Sua segurança se constrói na base dos bens materiais. Essa busca visa à felicidade natural. Desafios!
As novas tendências culturais bloqueiam-se diante das instituições cristãs, devido aos valores que elas representam, sobretudo a doutrina e a moral. O estilo de vida cristã é questionado e criticado de forma negativa. A atitude fria e indiferente está presente na sociedade laicizada, embora surjam reações, desde o misticismo ao radicalismo, da idolatria panteísta à natureza aos rituais cabalistas, macabros; do rigorismo à libertinagem total. (continua no próximo artigo)
*Arcebispo Metropolitano da Paraíba

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