12/08/2012

Pai e filho querem comemorar transplante de rim com voo de ultraleve


Intenção é pilotar a aeronave na companhia do filho que recebeu órgão.
Transplante curou obstrução urinária em paciente de Jaboticabal, SP.

Rodolfo TiengoDo G1 Ribeirão e Franca
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Pai e filho querem comemorar transplante de rim com voo de ultraleve   (Foto: Rodolfo Tiengo/ G1 Ribeirão)Pai e filho querem comemorar transplante de rim com voo de ultraleve (Foto: Rodolfo Tiengo/ G1 Ribeirão)
Depois de enfrentarem juntos uma batalha médica repleta de cirurgias e sacrifícios por quase 30 anos, pai e filho se preparam para ganhar as alturas com um ultraleve produzido nos fundos da casa onde moram em Jaboticabal (SP). É assim que o bancário aposentado Mário Benedito Gomes Souto, de 58 anos, decidiu comemorar o sucesso da cirurgia na qual há dois anos ele doou um rim para o filho. 
O projeto da aeronave CB10 Triathlon foi comprado por R$ 1,2 mil de um professor de engenharia da Universidade Federal de Minas Gerais e, após dois anos de trabalho de pai e filho, resta fazer o acabamento e instalar a peça mais cara, um motor de R$ 40 mil. "Queremos colocá-lo no ar até o final do ano que vem", diz Souto, com o otimismo de quem já superou desafios maiores ao lado da família. 
O filho de Souto, Mário Henrique Gomes, de 31 anos, sofreu desde o nascimento com constantes internações para tratar uma obstrução urinária que poderia matá-lo. Nos primeiros 16 anos de vida, foram diversas cirurgias e tratamentos provisórios para compensar a deficiência nos rins. A primeira tentativa de transplante foi há 14 anos, quando recebeu o órgão da mãe, mas houve rejeição do organismo.
Mário Benedito (à esquerda) e o filho Mário Henrique  (Foto: Rodolfo Tiengo/ G1 Ribeirão)Mário Benedito (à esquerda) e o filho Mário
Henrique (Foto: Rodolfo Tiengo/ G1 Ribeirão)
A cura da doença congênita, que impedia a liberação das toxinas do corpo pela urina, só ocorreu quando, após muitos exames, Henrique recebeu o rim do pai.
Além de sonhar em voar ao lado do pai, Henrique pretende fazer faculdade de educação física.  "Sinto-me outra pessoa. É um presente, devo muito a ele [meu pai]", afirmou Henrique, que ainda toma medicamentos e faz exames periódicos. 
Já o pai, como qualquer doador em condições normais, não tem sequelas da cirurgia. "Tomo minha cervejinha normalmente", garante Mário. "Passar o dia dos pais com meus filhos, especialmente com o Mário, é sinal de que contribui com algo que possibilitou a ele uma vida normal. Meu maior presente é ele", diz o pai.
'Devo tudo ao meu pai', diz Mário Henrique (à esquerda), depois de quase 30 anos lutando contra uma doença congênita nos rins. (Foto: Rodolfo Tiengo/ G1)"Devo tudo ao meu pai", diz Mário Henrique (à esquerda), depois de quase 30 anos lutando contra uma doença congênita nos rins. (Foto: Rodolfo Tiengo/ G1)

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