20/10/2012

Epidemia: cresce a incidência de obesidade no Brasil


Por Jessica Fortes
Da Redação
Considerada a epidemia do século XXI, a obesidade está cada vez mais comum entre os brasileiros. Ao todo, são 30 milhões de pessoas obesas. Esse número aumenta para 70 milhões se incluirmos as com sobrepeso. A Organização Mundial de Saúde (OMS) projeta em todo o mundo, um aumento de 75% nos casos de obesidade em dez anos, sendo 2,3 bilhões de pessoas com excesso de peso e 700 milhões de obesos.
Mais da metade (52%) dos homens e 44% das mulheres no país têm sobrepeso. Porto Alegre é a capital com o maior índice (55%), seguida de Fortaleza e Maceió (54%), enquanto Palmas e São Luís (40%) ficam em último no ranking, como os mais saudáveis.
SOBRE OBESIDADE
A obesidade é a alteração da composição corporal provocada pelo excesso das reservas de gordura em decorrência da oferta de calorias serem maiores do que o gasto de energia corporal. Reflexo de hábitos inadequados, como ausência de atividade física regular e alimentação de alto valor calórico, sem qualidade nutricional.
Também pode ser consequência de transtornos de compulsão alimentar relacionados a problemas de ordem psicológica e emocional. A herança genética é outra causa importante de obesidade, além de problemas hormonais.
Segundo o presidente do Capítulo de São Paulo da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), e diretor geral sócio da Clínica Gastro Obeso Center, Almino Ramos, o problema não é a obesidade e sim as doenças que ela acarreta, as chamadas comorbidades.   
Hipertensão, diabetes, colesterol, insuficiência respiratória, doenças vasculares e nas articulações e até câncer, são alguns exemplos de doenças acarretadas pela obesidade. “Doença não se pesa na balança e a obesidade já mata mais que a desnutrição”, explica Almino Ramos.
Para Ramos, é importante definir que, “obesidade não tem a ver só com peso na balança, mas com o aumento ou acúmulo do tecido gorduroso”, explica.  
TRATAMENTO
A primeira recomendação para o tratamento da obesidade é sempre a adoção de hábitos saudáveis (reeducação alimentar e atividades físicas), em paralelo com o acompanhamento clínico, com especialistas (endocrinologista ou nutrólogo). Em seguida, tenta-se controlá-la por meio de medicamentos. Quando ambas as opções não dão bons resultados, ou não funcionam, a alternativa mais eficaz é a cirurgia bariátrica.
Especialista em cirurgia do aparelho digestivo, dr. Irineu Rasera Jr., alerta que a cirurgia bariátrica não é uma cirurgia estética. “Trata-se de uma técnica, com respaldo científico, para o tratamento da obesidade e das doenças associadas ao excesso de gordura corporal ou agravadas por ela”, destaca.
QUEM PODE FAZER?
A cirurgia é recomendada para pacientes com base em seu índice de massa corporal (IMC), idade, histórico clínico e até psiquiátrico.
VALOR DO IMC: Calcule seu IMC dividindo o peso (em quilos) pela altura (em metro) ao quadrado.
EXEMPLO: IMC= 80+1,802   IMC=  24,69
                           peso/altura
CIRURGIA BARIÁTRICA
Popularmente conhecida como redução de estômago, a cirurgia bariátrica é uma técnica com respaldo científico, com 40 anos de utilização no Brasil. A indicação da cirurgia bariátrica é baseada em três critérios: índice de massa corpórea, doenças associadas e tempo de tratamento da obesidade.
Perder entre 65% e 80% do excesso de peso é apenas um dos benefícios da cirurgia bariátrica. Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, a cirurgia reduz também as comorbidades em níveis significativos.
A cirurgia pode ser feita de duas formas, da maneira tradicional (aberta), que consiste em incisão longa que abre o abdômen para que o cirurgião tenha acesso ou por videolaparoscopia, técnica menos invasiva que reduz as chances de complicações pós-operatório, cicatrizes, o tempo de internação e recuperação, além de apresentar um menor índice de hérnia no corte.
No Brasil, as modalidades aprovadas de cirurgia bariátrica pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) são: bypass gástrico, banda gástrica ajustável, gastrectomia vertical, duodenal switch, balão intragástrico. Essas modalidades, com excessão do balão intragástrico o qual é introduzido por endoscopia, podem ser realizados pelos dois tipos de abordagem – laparoscópica e aberta.
ACESSO
Em 2000, o Sistema Único de Saúde (SUS), passou a oferecer à população brasileira a cirurgia bariátrica por meio do método convencional – aberto. Desde o dia 1º de janeiro, os usuários de planos de saúde têm acesso ao procedimento minimamente invasivo graças à inclusão do mesmo na lista de procedimentos obrigatórios estabalecidas pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
O Brasil é o 2º país no ranking mundial em números de cirurgia bariátricas, 60 mil em 2010, ficando atrás somente dos Estados Unios, que somam 300 mil procedimentos anuais. Dos 72 mil procedimentos bariátricos realizados em 2012, no País, 35% foram feitos por videolaparoscopia, segundo a SBCBM. Atualmente, os esforços estão voltados para incluir a técnica menos invasiva também no sistema Público de Saúde.  “O paciente deve receber o melhor tratamento possível, não importa se ele esteja em tratamento no Sistema Público ou no Privado”, defende o presidente da SBCBM, dr. Ricardo Cohen.

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