Um tem 32 anos e deficiência na locomoção, consequência de um tiro. O outro completou 29 anos e nasceu com deficiência nos membros superiores. Francisco Ivan Anastácio e José Sérgio de Lima, mesmo morando na mesma cidade – Cascavel -, não imaginavam que seus destinos um dia se cruzariam. A vida deu uma mãozinha e, hoje, os dois, além de colegas no esporte, dividem a responsabilidade de emplacar um projeto em Cascavel, com o objetivo de incentivar o esporte paralímpico.
Os dois atletas compreendem que muitas crianças com deficiência na cidade precisam conhecer o esporte para superar o preconceito e as próprias limitações. “Nosso projeto é trabalhar com crianças com deficiência. A gente conhece essa realidade. Aqui na cidade, muitos pais escondem os filhos em casa, porque tem medo do preconceito. Eles receiam o que as pessoas possam falar para seus filhos. Mas a gente quer movimentar essas crianças. A prefeita eleita disse que vai abrir uma secretaria de esporte. A partir daí, vamos buscar uma brecha para inserir o esporte paralímpico”, conta Ivan.
Ivan encontrou na natação uma nova chance. Após levar o tiro, que o deixou um ano na cadeira de rodas, o futuro paratleta tinha apenas uma meta em mente: andar novamente. Na fisioterapia, Ivan ouviu o conselho para entrar na natação. Diante do excelente aproveitamento na água, o rapaz escutou outra recomendação. Encarar a atividade como atleta. Conseguiu uma vaga para treinar na Universidade de Fortaleza (Unifor), mas faltava condições financeiras para arcar com as despesas semanais para vir a capital cearense. Contou sua história para a Fundação Beto Studart e conquistou o primeiro apoio na sua carreira como paratleta. Desde então, acumula vitórias, campeonatos e experiência em competição até mesmo fora do país.
Recentemente, ele e José Sérgio foram destaques no Meeting Paralimpico Cearense 2012, realizado no dia 08/12/2012 no Clube Náutico Atlético Cearense. Ivan conseguiu o 1º lugar nos 50m costas; 2º nos 50m peito; 1º nos 100m livre; 1° nos 100m costas e 1° nos 400m livre. Já Sérgio conquistou 1º lugar nos 50m borboleta; 1° nos 50m peito; 1° nos 50m costas e 2º nos 100m peito. Lembrando ainda que os dois atletas competem em classe diferente.
Sérgio convive, desde o nascimento, com sua deficiência. Cedo, ele aprendeu que ou acreditava no próprio potencial ou não sairia do lugar. “Não deixo ninguém dizer que não posso”, afirma. Com essa garra, descobriu o esporte e a música. Ele é maestro da banda marcial de Cascavel, onde começou como integrante tocando do pelotão de pratos. Além da natação, Sérgio também compete no salto em distância e no salto em altura. Ele já acumula 56 medalhas e incentiva outros jovens a abraçar o esporte.
Foto: (da esquerda para direita) José Sérgio e Francisco Ivan
Boa Notícia
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