“A educação dos jovens é um dos maiores desafios”, afirma Michael Miano, um dos missionários da Consolata que trabalha na Costa do Marfim. “A juventude tem uma grande vitalidade e uma enorme capacidade de ação, mas necessita de muita formação”, adianta o sacerdote, salientando a necessidade de se aproveitar a esperança e dinamismo dos mais jovens para que as gerações futuras não se fiquem pelas “coisas fúteis”.
O Ministério da Educação marfinense reconheceu, recentemente, que faltam perto de 3.000 professores no sistema educativo e que o parque escolar se encontra deficitário. Com a falta de edifícios escolares, muitas das salas de aula projetadas para acolherem 25 estudantes estão neste momento com uma lotação de 40 ou mais alunos. Ao contrário, na região oeste, onde se verificou um êxodo maciço de pessoas para a Libéria, muitos estabelecimentos de ensino tiveram que fechar por falta de educandos.
Um outro desafio que o país está a enfrentar no rescaldo dos confrontos pós-eleitorais prende-se com a falta de documentos de identificação de dezenas de milhares de crianças, nascidas durante a guerra civil. As famílias deixaram de levar a sério o registo dos bebés e a falta de dados de identificação dos cidadãos tornou-se num grave obstáculo nas regiões onde o Estado esteve ausente, entre 2002 e 2010. A dimensão do problema começou a atingir proporções alarmantes à medida que essas crianças foram avançando nos estudos e foram impedidas de avançar para o ensino secundário por não terem certidão de nascimento.
Neste caldo de contrastes e dificuldades, os missionários da Consolata vão contribuindo, como podem, para o enriquecimento educativo do país.
Em Sago, uma pequena localidade a 200 quilômetros de Abidjan, capital econômica, mantêm em funcionamento uma escola primária, que acolhe 256 alunos e dá trabalho a seis professores e um estagiário. Para assegurar que as crianças se mantêm na escola durante todo o dia, foi necessário criar uma cantina, para servir refeições. Se os menores continuassem a ter que ir almoçar a casa, muitos deles dificilmente regressavam à escola da parte da tarde, contou o professor Kaffet Guy Serge à FÁTIMA MISSIONÁRIA.
O programa curricular do estabelecimento contém as disciplinas obrigatórias, desde a matemática às ciências, mas contempla também outras matérias, como os trabalhos oficinais, a música e a dança. Os alunos podem ainda frequentar a catequese. No futuro, os professores idealizam voos mais altos. “Sonhamos com as novas tecnologias, com a instalação da internet na escola, com computadores para os docentes e com uma biblioteca”, revela Kaffet Guy.
Fátima Missionária
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