Plínio Bortolotti*
No período em que ocupei a
titularidade da editoria de Opinião, um dos problemas com o qual me deparei foi
a, digamos assim, “timidez” da intelectualidade acadêmica - e alguns outros
segmentos - em encarar polêmicas.
Recebia artigos que eram respostas a outros
textos publicados, sem que o autor da primeira obra fosse citado. Sugeria,
então, - a quem escrevia - para deixar claro tratar-se de réplica, propiciando
o debate. Dizia também que o leitor merecia ser esclarecido sobre a polêmica.
As respostas que recebia variavam, de um “deixa pra lá” a um direto “não quero
me indispor com colegas”.
Em uma das vezes, recebi um texto
incompreensível, apesar de redigido corretamente. Consultei o autor e ele
respondeu: “Ah, é uma resposta para o Fulano. Ele vai entender”. Desta vez,
suspendi por instantes a polidez devida a fontes e colaboradores, e respondi:
“Então, o senhor faça o seguinte, envie uma carta a ele e poupe o leitor”.
A meu ver, intelectuais e jornalistas
(que se propõem a escrever artigos) têm o dever de expor o que pensam,
aguentando o tranco.
Em artigo que escrevi me declarando
um sujeito de esquerda (creio que os homens são mais iguais do que desiguais),
fui acusado de “compactuar” com os massacres cometidos por regimes
“comunistas”; chamaram-me de aliado de Cuba - e fui xingado de “imbecil”.
Na semana passada, quando critiquei
os que quiseram impedir a blogueira Yoani Sánchez de falar, fui acusado pelos
fãs do regime cubano de defender uma “agente da CIA” e de estar a soldo da SIP
(Sociedade Interamericana de Imprensa), entidade que reúne os proprietários de
jornais das Américas.
Mas, como não cultivo o “pensamento
único”, nem à direita nem à esquerda, costumo sair de algumas polêmicas com
escoriações generalizadas. É o preço a ser pago pelos que ousam pensar de forma
independente. Eu acho que ainda sai barato.
*Diretor
Institucional do Grupo de Comunicação O POVO
plinio@opovo.com.br

Nenhum comentário :
Postar um comentário