por Edson Luiz Sampel |
categoria Sucessão do Papa Bento XVI
Quando, em 1870, o último Estado pontifício, Roma, fora tomado pelos piemonteses, Pio IX, o Papa da época, viu-se numa situação bastante complicada. O problema só foi resolvido com a assinatura do Tratado de Latrão, em 1929, que restituiu à Igreja um pequeno território soberano, o atual Vaticano.
Realmente, o Vaticano é uma porção de terra de dimensões reduzidíssimas, entretanto, por gozar de soberania, garante ao sucessor de São Pedro, o bispo de Roma, a independência necessária para o exercício do ministério de pastor supremo de todos os católicos do planeta.
Diga-se de passagem, não podemos afirmar que o Vaticano se localiza na Itália. O Vaticano está na Europa, da mesma forma que Brasília, a capital do Brasil, não se situa em Goiás, mas no Centro-Oeste de nosso país.
Fosse o Papa súdito de algum Estado, ou seja, fosse sua santidade argentino (com a aceitação do ofício de Papa, Bergoglio não é mais argentino, na acepção jurídica), brasileiro, italiano, alemão e etc., encontrar-se-ia inevitavelmente cerceado na sua liberdade de proclamar o evangelho de Jesus Cristo.
Às vezes, pregar o ensinamento da Igreja desagrada a certos grupos, que poderiam fazer alguma pressão para calar a voz do Papa, com processos judiciais e outros tipos de ameaças. Jesus mesmo fora executado por contrariar o ordem vigente do seu tempo.
O fato de o Papa ser chefe de um Estado, mesmo que diminuto, salvaguarda o direito da Igreja de proclamar em alto e bom som a mensagem de Jesus Cristo para o homem contemporâneo, sem temer quaisquer represálias.
Um papa ambiental
ter, 19/03/13
por Padre Helmo Faccioli |
categoria Sucessão do Papa Bento XVI
Com um estilo pastoral bem diferente de Bento XVI, o Papa Francisco fez uma homilia onde chamou atenção a referência que fez de São José como guardador. Considerado patrono da Igreja, seu dia é lembrado nesta terça-feira (19).
Guardar significa cuidar. Com isso, o Papa afirma que todos somos chamados a termos a função de guardiões da criação, dos desígnios de Deus escritos na natureza.
Ele insiste que não podemos permitir a destruição, tanto da natureza, quanto da humanidade. Além disso, temos que ser guardiões uns dos outros, pois o ser humano merece o cuidado do outro ser humano.
Isso tudo é uma referência explícita a São Francisco, que foi o grande incentivador do amor à natureza e ao ser humano. E pode representar que este Papa será muito voltado à questão ambiental.
A preocupação dele, enquanto pastor da Igreja, na sua dimensão de universalidade, é que a natureza hoje clama por quem a defenda verdadeiramente, não apenas no discurso. A defesa tem que ser uma prática completa na vida de cada pessoa.
O que a gente percebe é que ele [o Papa] tem preocupação com cada pessoa e, em seu espírito franciscano, se preocupa com todas as pessoas, independentemente delas serem cristãs ou não.
A colocação “guardemos com amor aquilo que Deus nos deu”, usada na homilia, é humana, transcendental e universal. Não importa o modo que cada um conceba Deus, mas sim que ele considere que Deus fez tudo e com amor. E que nós, por termos sidos criados à sua imagem e semelhança, devemos guardar com amor toda obra de Deus.
‘Marketing papal’
seg, 18/03/13
por Edson Luiz Sampel |
categoria Sucessão do Papa Bento XVI
O livro “Das Barmherzigkeit” (“A Misericórdia”), citado pelo Papa Francisco no primeiro Ângelus, é uma obra muito interessante. Com efeito, o autor é um grande teólogo, equilibrado, apesar de figurar entre os eclesiásticos ditos progressistas.
O livro coloca Deus misericordioso no coração do evangelho. O peculiar do escrito é que Kasper revisita o Antigo Testamento para embasar a misericórdia que transborda do coração de Jesus. Assim, segundo Kasper, Deus é amor, mas é, igualmente, misericórdia, compadece-se do sofrimento do povo, sobretudo dos pobres.
O vocábulo “misericórdia” quer dizer “pôr o coração na miséria do irmão”. Deus perdoa sempre; jamais se cansa de perdoar. O ser humano, no entanto, criado à imagem e semelhança de Deus, tem, muitas vezes, o coração duro para o perdão.
Há exceções, como o caso recente do rapaz atropelado na Av. Paulista, que perdeu um braço. Este jovem, prontamente, afirmou perdoar o homem que o feriu.
A citação de livro de autor vivo por um Papa é um fato inédito. Geralmente, os pontífices aludem a grandes teólogos falecidos. Isso mostra mais uma peculiaridade do novo Papa, que escapa aos estereótipos.
Esperemos que o livro seja logo traduzido para o português (ele foi escrito originalmente em alemão, sendo traduzido para idiomas como espanhol e italiano), e que sua leitura estimule gestos de misericórdia e de perdão, pois, quem primeiro nos perdoa é Deus, de acordo com Kasper. Cabe a nós trilharmos o mesmo caminho da misericórdia.
O Papa e a adúltera
seg, 18/03/13
por Francisco Borba |
categoria Sucessão do Papa Bento XVI
Quis o destino que a leitura do evangelho do primeiro domingo do papado de Francisco fosse o da adúltera. A multidão leva esta mulher para Jesus, perguntando se devem apedrejá-la conforme a Lei. Cristo responde que aquele que não tem pecado lance a primeira pedra.
A narrativa termina com Jesus e a mulher – perdoada e incentivada a “não mais pecar” – sozinhos, pois a multidão se foi.
A partir desta passagem, o Papa reflete sobre a misericórdia de Deus – que “nunca se cansa de nós” e nunca deixa de nos oferecer seu perdão.
Todo o escândalo do cristianismo para a cultura pós-moderna, todos os embates mais sérios que o Papa Francisco poderá ter com a sociedade secularizada de nosso tempo podem ser entendidos a partir destas poucas linhas.
A “Igreja pobre e para os pobres” apresentada por Francisco é simpática e saudada por todos. Com base nesta simpatia, os jornais se abriram generosos a sua afirmação de que a mensagem da Igreja é, fundamentalmente, de natureza religiosa (afirmação que poderia passar por alienada e desengajada em outros tempos). Sua crítica, de caráter místico e pouco compreensível para muitos, de que “uma Igreja sem Cristo seria uma ONG piedosa” virou manchete de vários jornais.
Mas suas posições no campo de moral sexual, bioética e defesa da vida já causam certo descontentamento em vários setores da sociedade e até entre católicos. Seria ele um tradicionalista repressor, do estilo da velha guarda católica? O Papa aceitará o aborto? E o casamento homoafetivo? Como se posiciona diante do uso da “camisinha”? E por aí vamos…
A chave de tudo isso se encontra no episódio de Jesus e a adúltera. De fato, Jesus não nega o caráter “pecaminoso” do adultério. Afinal, quem deixaria de considerar errado trair a confiança da pessoa amada? Erros acontecem e todos os seres humanos estão fadados a errar muitas vezes em suas vidas.
Por mais “relativistas” que sejamos, temos que reconhecer que nem tudo pode ser considerado válido. Mesmo nossa sociedade, aparentemente tão permissiva, não perdoa e pede castigos exemplares para aqueles que quebram suas normas.
A grande novidade do cristianismo, que vem de 2 mil anos mas continua a nos escandalizar, é a misericórdia e o perdão que sempre a acompanha. A Igreja “condena o pecado, mas ama o pecador”. Jesus veio para os pecadores e não para os virtuosos. Sem esse pano de fundo, a pregação católica se torna incompreensível e a mensagem evangélica se desvirtua em moralismo e exclusão social.
A misericórdia pressupõe o pecado. Santo Agostinho não se apresenta como pecador, em suas “Confissões”, por masoquismo ou autoflagelação pública, mas porque reconhece que quanto mais percebe o seu limite, mais percebe também o amor de Deus por ele, e mais livre se sente em relação ao próprio pecado. Mas nossa sociedade não quer aceitar o pecado. Sem a experiência da misericórdia e do perdão, nada de bom parece vir do reconhecimento do próprio erro.
Este confronto entre estas duas formas de compreender o erro e o perdão em nossa sociedade será, provavelmente, o ponto mais polêmico do pontificado e do magistério de Francisco. Caberá a ele, com sua simplicidade e pobreza, conseguir transmitir essa mensagem de uma misericórdia que não condena, mas pelo contrário abraça a pessoa que erra. Cabe a cada um de nós aceitar o risco de se sentir amado e, a partir deste ser amado, se perguntar sobre o significado da mensagem cristã.
Um papa sem protocolo e pobre
dom, 17/03/13
por Edson Luiz Sampel |
categoria Sucessão do Papa Bento XVI
As aparições do Papa Francisco têm revelado pouca preocupação com o rígido protocolo do Vaticano. Sua santidade, por exemplo, não se ateve estritamente ao texto que lia, quando se encontrou com os jornalistas na Sala Paulo VI.
Em determinado momento, deixou de lado o papel e, em tom simples e brincalhão, aludiu ao nome Francisco, dica de seu amigo, o cardeal brasileiro, dom Cláudio Hummes.
No primeiro Ângelus, o Papa Francisco chegou até a fazer referência direta a um livro do cardeal Kasper, e disse que não estava fazendo propaganda, algo impensável nos últimos dez pontificados.
Um dos pontos mais importantes dessas primeiras mensagens do novo pontífice está no que ele disse aos jornalistas: “como eu gostaria de ver uma Igreja pobre!.” De fato, Jesus Cristo, era um homem bastante pobre, paupérrimo, até.
O primeiro Papa, São Pedro, também era um pescador desprovido de grandes recursos. Mas, o que quis dizer o Papa Francisco com o desabafo expresso diante da imprensa?
A Igreja se torna realmente divina, a partir do momento que se faz pobre, ou seja, que põe toda sua confiança em Deus, e não nos bens terrenos. Uma Igreja pobre mantém firme a opção preferencial de Jesus pelos pobres.
Uma Igreja pobre abandona o luxo e a pompa e passa a buscar apenas a simplicidade, como fez o Papa Francisco, que nem sequer quis usar a estola papal, quando se apresentou ao povo na sacada da Basílica de São Pedro.
De qualquer modo, é bom que se diga que ao menos os últimos papas não foram homens ricos. O que chamam de riqueza do Vaticano, ou seja, as obras de arte, são patrimônio da humanidade.
Na Arquidiocese de São Paulo, lembro-me de que o arcebispo emérito, dom Paulo Evaristo, não tinha nem uma conta bancária em seu nome. No fundo, o Papa Francisco quer que não só os padres e bispos sejam pobres, mas, igualmente, os católicos comuns, que devem subsistir com o mínimo necessário e dar o restante aos mais carentes.
A homilia do Papa Francisco
qui, 14/03/13
por Frei Evaldo Xavier Gomes |
categoria Sucessão do Papa Bento XVI
Papa Francisco celebrou nesta quinta-feira (14), na mesma na Capela Sistina onde foi eleito, sua primeira missa como Pontífice.
A língua usada na liturgia foi o latim, língua oficial da Igreja. Sua primeira homilia, entretanto, foi feita em italiano, contrariamente ao seu predecessor Bento XVI que na mesma ocasião leu-a em latim.
Seguindo a prática comum na Igreja da América Latina, o novo Papa fez uma homilia espontânea, ou seja, sem recorrer à leitura de um texto previamente escrito.
Nesta homilia que inaugura seu pontificado, Papa Bergoglio aponta três linhas principais: “Caminhar, edificar e confessar”.
Segundo suas palavras “sem confissão, a Igreja se torna um ONG de caridade”, ou seja, sem conversão e espiritualidade, a Igreja se tornaria somente uma organização de assistência social. Observa que nas leituras da liturgia, o fio condutor foi a palavra “movimento”.
Assim, a vida é comparada a uma caminhada e quando paramos, o percurso é interrompido ou se torna mais distante. Assim é fundamental que caminhemos sempre iluminados pelo Senhor e em sua constante presença.
“Se não caminhamos na luz de Cristo”, a nossa realidade corre o risco de se transformar na sociedade descrita por Leon Bloy, recorrendo à obra do ensaísta francês que detalhava uma sociedade conformista e à caminho da ruína.
Papa Francisco lançou também um grave alerta para a importância da oração e da fidelidade a Jesus Cristo. “Quem não anuncia o Senhor anuncia o diabo, quando não se professa Jesus, se professa a mundanidade do demônio”.
Em sua primeira mensagem de início de pontificado, Papa Francisco convoca todos a ter coragem e proclama a plenos pulmões que é necessário “reedificar a Igreja com o sangue versado na Cruz, que a única glória é Cristo Crucificado e somente assim a Igreja andará avante!”.
Finalmente conclui exortando: “desejo a todos nós que o Espírito Santo e a interceção da Virgem Maria, nossa Mãe, nos concedam a graça de caminhar, edificar e professar Jesus Cristo Crucificado. Assim seja!”.
(Para ver mais sobre a primeira homilia do Papa Francisco, clique aqui).
Dom Odilo Scherer e Dom Angelo Scola: como ficam?
qui, 14/03/13
por Edson Luiz Sampel |
categoria Sucessão do Papa Bento XVI
Do abençoado conclave que elegeu o Papa Francisco saem também fortalecidos Dom Odilo Scherer e Dom Angelo Scola. Dois insignes sucessores dos apóstolos, grandes pastores, amantes de suas greis.
Dom Odilo, eclesiástico culto, talentoso e fidelíssimo a Roma, fidelidade, aliás, que deve estar no coração de todo católico. Dom Scola, um bispo admirado em sua diocese, um homem de teologia, um prelado outrora responsável pela Pontifícia Universidade Lateranense, a universidade do papa.
A Igreja católica, fundada por Jesus Cristo há dois mil anos, contará com o inestimável ajutório desses dois bispos, ambos apetrechados para o papado. Com certeza, o Papa neoleito solicitará que eles atuem em vários dicastérios (órgãos) da Cúria Romana.
Dom Odilo e Dom Scola revelaram um prestígio enorme na sucessão do sumo pontífice. Os católicos e a opinião pública mundial perceberam a importância desses dois purpurados e, por conseguinte, os puseram entre os papáveis.
Em Roma e nas suas respectivas dioceses, dom Odilo e Dom Scola exercerão seu pastoreio com grande utilidade ao povo de Deus. De certa forma, serão recebidos como heróis, porquanto, participaram do conclave que escolheu o primeiro papa latino-americano.
Um brasileiro na foto histórica e o governo da Igreja
qui, 14/03/13
por Domingo Zamagna |
categoria Sucessão do Papa Bento XVI
Com a renúncia ou morte de um Papa a maior parte dos titulares de postos da Cúria Romana perde imediatamente as suas funções. Poucos permanecem à frente de suas antigas atribuições, como o Camerlengo, o cardeal Vigário de Roma, o cardeal arcipreste da Basílica de São Pedro, alguns diplomatas da Secretaria de Estado, o presidente da Penitenciaria Apostólica. Toda a administração da Igreja é transferida para o Colégio dos Cardeais, presidido pelo camerlengo e pelo decano.
Eleito o novo Sumo Pontífice, a Constituição ApostólicaUniversi Dominici Gregis (cap. VII) estabelece que, após os atos de obséquio dos cardeais, o eleito seja apresentado ao povo de Roma, no balcão central da Basílica de São Pedro. É quando o Cardeal Proto-Diácono comunica o Habemus Papam, anuncia o seu nome cardinalício e o nome que ele escolheu como Papa.
Neste momento o novo Papa, já com as vestes brancas, aparece acompanhado de alguns personagens: o camerlengo, o vigário de Roma, cardeais representantes das três ordens cardinalícias (bispo, presbítero e diácono), além do cruciferário (que conduz a Cruz) e de cerimoniários.
Na foto histórica da apresentação do Papa Francisco 1º, ao lado esquerdo vemos o Vigário de Roma (cardeal Agostino Vallini) e ao lado direito os cardeais representando as três ordens: o italiano Tarcísio Bertoni (cardeal-bispo e camerlengo), o brasileiro Cláudio Hummes (cardeal-presbítero) e o francês Jean-Louis Tauran (cardeal-diácono).
Na foto histórica está o Papa Francisco, ao lado esquerdo vemos o Vigário de Roma (Cardeal Agostino Vallini). Ao lado direito os cardeais Tarcísio Bertoni (Cardeal-bispo e Camerlengo), o brasileiro Cláudio Hummes (Cardeal-presbítero) e o francês Jean-Louis Tauran (Cardeal-diácono).
Todas as funções de governo da Cúria Romana dependem exclusivamente do novo pontífice. Eles podem confirmar ou não os colaboradores da Cúria Romana. João Paulo 1º, após sua posse confirmou todos nas suas funções precedentes. João Paulo 2º fez questão de examinar cada caso e foi confirmando ou não, na medida em que tinha contato com os titulares. Não sabemos qual será o procedimento a ser adotado pelo Papa Francisco.
Mas não devemos esperar que ele faça mudanças bruscas. A prudência sugere que ele mantenha os colaboradores atuais e aos poucos faça as substituições ou transferências que achar convenientes. As é difícil um novo governo da Igreja que não faça alterações nos quadros da administração ordinária do Vaticano.
Francisco, o Papa que veio do Sul
qua, 13/03/13
por Francisco Borba |
categoria Sucessão do Papa Bento XVI
Com a escolha do argentino Jorge Mario Bergoglio para o cargo de líder da Igreja Católica, como Papa Francisco, a Igreja Católica entra numa fase de sua história, marcada por uma intenção missionária e pela reafirmação do caminho já trilhado por João Paulo II e Bento XVI.
- Jesuíta no Vaticano
A escolha de um jesuíta simboliza uma opção pelo caráter missionário da Igreja. Se você pensa em Bento XVI, com a escolha do nome Bento, mostrava seu desejo de trabalhar na reconstrução das bases do catolicismo, estando centrado na Europa e com foco na relação entre fé e cultura.
Escolher um papa jesuíta, e argentino, é o paradigma do processo de evangelização do novo mundo. A Companhia de Jesus construiu o catolicismo na América Latina com seu trabalho missionário. A escolha desse Papa tem um cunho simbólico de uma Igreja que agora vai para o mundo com um grande apelo missionário.
- O nome Francisco
A escolha do nome pode ter relação com dois grandes santos da Igreja: São Francisco de Assis, considerado o santo dos pobres, e São Francisco Xavier, um grande missionário que evangelizou o oriente.. Bergolio, no conjunto de seu episcopado na Argentina, foi um cardeal reconhecido por ter um grande trabalho social junto às favelas de Buenos Aires. É um papa com trabalho social, apontando para valorização da ação social da Igreja.
- A idade
Significa claramente que os cardeais gostaram da experiência de ter um Papa mais idoso à frente da Igreja (Bento XVI foi eleito com 78 anos em 2005). Isso sinaliza um papado curto. No entanto, não significa que é um Papa de transição. Temos que acabar com essa ideia de Papas de transição. Ele pode ter um pontificado curto, mas com uma missão específica, dando continuidade aos trabalhos daqueles que o precederam e abrindo caminho aos pontífices que vão sucedê-lo.
- Atenção à América Latina
Apesar da Igreja sempre ter sido uma organização internacional aberta para todo o mundo, a escolha de um líder vindo da América Latina mostra que ela entra definitivamente no contexto da sociedade globalizada. Isto é, onde os líderes podem estar em qualquer lugar, inclusive nos países considerados de 3º mundo.
O desenvolvimento do conclave
qua, 13/03/13
por Edson Luiz Sampel |
categoria Sucessão do Papa Bento XVI
O conclave congrega os cardeais num clima de profunda oração. Não se trata de um encontro político, no qual se discute quem pode ser o melhor Papa. A propósito, sabemos que, à luz da fé, o sucessor de são Pedro é escolhido pelo Espírito Santo, sendo os purpurados meros instrumentos.
O direito canônico, especificamente a constituição apostólica Universi Dominici Gregis, fornece as diretivas do desenvolvimento do conclave. Há lugar para o escrutínio e para a oração. É óbvio que os cardeais não são obrigados a ficar mudos o tempo todo. Permite-se a conversa. Entretanto, nos colóquios não há de transparecer a intenção de voto de ninguém. O voto é secreto.
Quer na Capela Sistina, onde se realiza propriamente a votação, quer na Casa Santa Marta, onde se hospedam, os cardeais podem e devem debater questões acerca dos rumos da Igreja, dos problemas maiores que a afligem, das soluções plausíveis etc.
Todo cardeal participante do conclave tem a perfeita clareza de que a eleição do Papa constitui, antes de tudo, um ato religioso. Desta feita, compreende-se o porquê do sigilo e da gravíssima pena de excomunhão para um eventual infrator desta regra.
No silêncio e na oração, entremeados por colóquios módicos, os cardeais obtêm a paz de consciência imprescindível para eleger o Papa. Esperamos que isto ocorra o mais breve possível.










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