São Paulo/Fortaleza. A atividade da indústria de construção civil completou, no mês passado, um ano sem crescimento, conforme levantamento divulgado ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O nível de atividade caiu pelo quinto mês seguido, com indicador de 48,9 pontos em março. A pontuação da pesquisa varia de zero a cem. Valores abaixo de 50 indicam queda da atividade ou produção em nível abaixo do usual. Acima desse patamar, o indicador aponta expansão no setor.

Para o Sinduscon-CE, apesar do déficit habitacional, o setor tem desacelerado por conta da incerteza do brasileiro quanto à manutenção do emprego Foto: Kiko silva
Segundo a pesquisa, a atividade da construção civil está abaixo dos 50 pontos desde março de 2012. A utilização da capacidade do setor ficou estável no período anualizado, operando com 70% de produção, o mesmo percentual de março de 2012.
O índice de desemprego na construção civil também apresentou alta. Desde novembro do ano passado em contração, o indicador atingiu 48 pontos em março, sinalizando redução de funcionários. O desaquecimento no setor também se refletiu no resultado financeiros das empresas, que foi o pior desde 2009. A margem de lucro registrou 44,7 pontos no primeiro trimestre desde ano. A situação financeira, em geral, marcou 48,4 pontos - também num patamar considerado insatisfatório.
Menos vagas
A queda no número de empregos também foi sentida no Ceará, afirma o presidente do Sindicato das Indústrias da Construção Civil do Estado (Sinduscon-CE), Roberto Sérgio. Segundo o presidente, o setor empregava, em 2009, entre 65 mil e 70 mil pessoas na Região Metropolitana de Fortaleza. Neste ano, informa, o número caiu para entre 60 mil e 62 mil trabalhadores.
Para Roberto Sérgio, um dos obstáculos que o setor hoje enfrenta é a sensação de insegurança e incerteza dos brasileiros quanto ao futuro, diante da inflação acima da meta do governo e da queda na atividade econômica em diversos segmentos. "As pessoas se perguntam: ´Será que amanhã eu ainda vou ter meu emprego?´. Se hoje o soldador ou o torneiro mecânico que trabalham na indústria perdem o emprego, é uma pessoa a menos para comprar casa", ilustra.
Déficit habitacional
O presidente do Sinduscon-CE ressalta, todavia, que a demanda por imóveis ainda é alta no Estado. "Existe muita gente que quer comprar uma casa, mas muita gente também não pode", comenta. De acordo com Roberto Sérgio, a expectativa é que a construção civil, que, no País, cresceu em torno de 3,5% de 2012 a 2013, avance entre 1,5% e 2% neste ano.
Diário do Nordeste
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