25/04/2013

Enrico Letta é nomeado primeiro-ministro da Itália


Após dois meses de paralisia política, a Itália finalmente escolheu um novo primeiro-ministro nesta quarta-feira (24). Enrico Letta, deputado do Partido Democrático (PD), de centro-esquerda, foi nomeado premiê pelo presidente Giorgio Napolitano e tentará formar um governo de coalizão com o ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi. A nomeação está sendo interpretada como uma tentativa de renovar a política italiana e atingir eleitores mais jovens. Letta, de apenas 46 anos, será o segundo mais jovem primeiro-ministro da história da Itália.
Apesar de jovem para os padrões da política italiana, Letta é um político experiente tanto em questões domésticas quanto nas relações com a União Europeia. Ele começou sua carreira em 1991, como presidente do movimento juvenil do Partido Democrata Cristão. Foi o mais jovem ministro da Itália, e já atuou como subsecretário de Estado. Letta também é bem relacionado nos círculos europeus, e foi eleito parlamentar da União Europeia em 2004.
A nomeação de Letta foi bem recebida pelo mercado financeiro por sua posição pró-União Europeia. Massuas primeiras declarações após a escolha já mostram que o novo primeiro-ministro quer modificar a política econômica que está sendo colocada em prática na Europa. Desde o início da crise, a principal resposta das grandes economias europeias, como a Alemanha, foi buscar políticas de austeridade fiscal. A ênfase em cortes de gastos gerou inúmeros atritos na Europa, e é tema polêmico na Itália, um dos países que mais sofrem com a crise. “Na Europa, as políticas de austeridade não funcionam mais”, disse Letta.
Sua tarefa mais difícil, no entanto, será lidar com a complicada política italiana – e com Silvio Berlusconi. As últimas eleições, em fevereiro, colocaram o Partido Democrático no controle da Câmara, mas o bloco não conseguiu o mesmo apoio no Senado. O então líder do PD, Pier Luigi Bersani, recusou se aliar a Berlusconi, e não conseguiu, por pequena margem, formar uma coalizão grande o suficiente para governar. Na semana passada, Bersani renunciou ao posto de líder do partido, abrindo caminho para Letta buscar o apoio de Berlusconi.
Para negociar essa coalizão, Enrico Letta conta com um trunfo: ele é sobrinho de Gianni Letta, o braço direito de Berlusconi. Outra vantagem é sua facilidade de negociar com diferentes forças políticas. Apesar de estar no PD, de esquerda, Letta já atuou no Partido Democrata Cristão, de centro-direita, e é considerado um político moderado. A coalizão de Letta deverá contar com os principais partidos políticos da Itália, com exceção do Movimento 5 Estrelas, do comediante e ativista político Beppe Grillo.
Nesta quinta-feira (25), Letta anunciará os ministros de seu governo, entre políticos e tecnocratas, e passará por um voto de confiança no Parlamento, que deve selar a sua nomeação como primeiro-ministro da Itália.
Foto: Gregorio Borgia/AP

Revista Época

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