Cidade do Vaticano – É uma constante ilusão pensar que “a rejeição a Deus, à mensagem de Cristo, e ao Evangelho da vida leva à liberdade” e à “plena realização do homem”. Era a primeira vez que papa Francisco estava celebrando uma missa pública na Praça de São Pedro inteiramente dedicada a um dos temas eticamente sensíveis como a defesa da vida.
Rodeado por milhares de voluntários das associações pró-vida e pelos promotores do movimento “Um de nós”, contra a destruição dos embriões, Francisco falou da vida de modo positivo, lembrando também que os Mandamentos não são uma série de “não”, mas um grande “sim” ao Deus da vida.
O papa lembrou que a Bíblia "nos revela" o Deus "que é vida e fonte de vida". Ele disse que "Jesus dá a vida e que o Espírito Santo nos mantém em vida”. E explicou que “seguir Deus leva à vida, enquanto seguir os ídolos leva à morte”.
Comentando as leituras do dia, Francisco disse: “Quando o homem quer afirmar a si mesmo, fechando-se em seu egoísmo e colocando-se no lugar de Deus, acaba por semear morte”. Os Mandamentos “são o caminho por uma vida realmente livre: não são um hino do ´não´: não deves fazer isso, não deves fazer aquilo, não deves fazer essa outra coisa..., mas não um hino de ´sim´ a Deus, ao amor, à vida".
Em seguida, falando do Evangelho e do episódio da mulher pecadora que Jesus acolhe e perdoa, escandalizando os fariseus, o papa afirmou que aquela mulher "sente-se compreendida e amada, deixa-se tocar pela misericórdia e começa uma nova vida". Francisco pediu aos fiéis presentes na Praça e na via della Conciliazione de repetir com ele estas palavras: “Deus, o vivente, é misericordioso”.
Bergoglio explicou, em seguida, que o cristão "é um homem espiritual", mas isto não significa que "vive nas nuvens, fora da realidade, como fosse um fantasma, não! O cristão é uma pessoa que pensa e age na vida cotidiana como Deus. Quem se deixa levar pelo Espírito Santo é realista, e também fecundo, sua vida gera vida ao seu redor".
Por fim, o papa afirmou que muitas vezes "o homem não escolhe a vida, não acolhe o ´Evangelho da vida´, mas se deixa levar por ideologia e lógicas que colocam entraves à vida, que não a respeitam, porque são ditadas pelo egoísmo, pelo interesse, pelo proveito, pelo poder, pelo prazer e não pelo amor, pela busca do bem do outro".
É esta a "constante ilusão de pretender construir a cidade do homem sem Deus, sem a vida e o amor de Deus", pensando que isto "leva à liberdade, à pela realização do homem". Enquanto, no entanto, “o resultado é que no lugar do Deus vivente estão sendo colocado ídolos humanos e passageiros, que oferecem a ilusão de um momento de liberdade, mas que, no final das contas, são portadores de novas escravidões e de morte”.
O convite final é olhar para Deus "como ao Deus da vida, olhemos para sua lei, à mensagem do Evangelho como a um caminho de liberdade e de vida", dizendo "sim ao amor e não ao egoísmo": "Digamos sim à vida e não à morte, digamos sim à liberdade e não á escravidão dos tantos ídolos do nosso tempo; numa palavra, digamos sim a Deus, que é amor, vida e liberdade, e jamais frustra".
SIR
Dom Total
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