07/06/2013

Uma nova geração de mulheres muçulmanas desafiam os códigos de vestimenta prescritos no Corão




Tajima desafia os preceitos muçulmanos da vestimenta (Foto: Divulgação)
Por Marco Lacerda*

Hana Tajima usa sempre os saltos mais vertiginosos e os jeans mais cobiçados. Hana é uma blogueira de moda muçulmana, talvez a mais influente de uma nova geração de mulheres que reivindica , usando as redes sociais como aliadas, a possibilidade de seguir as tendências internacionais da moda sem trair o recato no vestir-se imposto por sua religião. Uma proposta ainda impossível de ser exportada para todos os países islâmicos, mas que cresce diariamente ao redor do planeta.
“O islã te estimula a ser você mesma, por isso não vejo nenhuma razão que impeça uma garota de ser ao mesmo tempo muçulmana e fashion. A maioria das mulheres muçulmanas sempre se interessou por moda. A diferença é que agora o expressam publicamente. Esta é a explicação para o fenômeno.
Quando criei minha página Stylecovered.com, em 2009, ninguém se atrevera, até então a rever nossos códigos de vestuário. Agora que mulheres, desde os Estados Unidos até Cingapura, se juntam ao movimento, a onda é cada vez mais aceita e tem gerado um verdadeiro sentimento de irmandade entre as participantes”, explica em entrevista ao jornal espanhol El País Hana
Repercussão global
Tajima, filha de pai japonês e mãe britânica que se converteu ao islã há uma década. 
Na cola da repercussão global alcançada por Tajima surgiram centenas de iniciativas semelhantes.Entre as mais relevantes incluem-se o blog Fashionwithfaith, da estilista sueca Imane Asry, os sites Hebamagazine.com, boletim da nova tendência também conhecida como “islã hipster” e Hijabshigh.com, especializada em fotografias de hiyabis (mulheres que usam hiyab, a vestimenta recomendada pelo islã) anônimas e glamurosas.

O mercado muçulmano vive um momento de efervecência e graças a essa nova corrente se encontra em plena redefinição. Já não pode mais ser ignorado. As grifes de luxo tentam às pressas adaptar suas coleções às necessidades do públicvo islâmico. Algumas, como Armani, Calvin Klein e Prada, já estão produzindo linhas de lenços especialmente pensados para cobrir a cabeça. Em fevereiro, pela primeira vez, uma empresa muçulmana –Barjis – fez barulho na Semana da Moda de Londres.
“Não tem sido fácil. Como sempre acontece quando se faz algo nunca experimentado antes, as reações são fortes e imprevisíveis. Muita gente diz que estou quebrando tabus, violando os preceitos que devem orientar a vida de uma garota muçulmana. Tudo representa um desafio para mim”, diz Tajima via email.
As críticas não vêm só da comunidade islâmica. Nancy Hoque, estilista da Sixteenr, firma californiana especializada em hyabs, afirma que a percepção do véu como símbolo de opressão é uma pedra no sapato.” Seja como for, cada vez mais muçulmanas entendem a moda como um instrumento para expressar sua personalidade. Esta tendência não diz respeito somente aos véus, tem a ver com o fato de que a atitude e a maneira de pensar de uma mulher refletem em sua forma de se vestir”, diz a estilista da Sixteenr.

Grande parte dessas precursoras do estilo defende que o véu, além de sua leitura religiosa, pode fazer sentir-se mais mais poderosas as que o escolhem voluntariamente. “Quando uma jovem cobre os cabelos, não apenas muda seu aspecto, mas também a forma em que os demais interagem com ela. É necessário que uma garota se sinta muito segura de si mesma para esconder sua beleza, adquirir uma aparência que se distingue da norma e apresentar-se assim ao mundo ocidental. É um processo de crescimento pessoal que faz a mulher sentir-se mais forte”, diz Nancy Hoque. 

O que está em questão é que esta pequena revolução feminina não começa e termina na cobeça da jovem. Qualquer forma de estilismo faz sentido, desde as mini-saias de Balenciaga até os tops de Lanvin, desde que estejam acompanhados de calças e camisetas de manga comprida. Porque o objetivo dessas mulheres é conciliar a moda atual como o Corão, que recomenda que as mulheres se vistam com pudor.

Dom Total

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