O desemprego voltou a cair e o nível ocupacional tornou a apresentar leve expansão em agosto na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). A taxa de desemprego total reduziu de 8,4%, em julho, para os atuais 7,9% - menor indicador para o mês de agosto dos últimos cinco anos. Em contrapartida, em meio à alta da inflação, houve queda no rendimento médio real dos trabalhadores formais, associada à retomada do emprego sem carteira com expansão da renda de informais e autônomos.
Os setores de comércio e reparação de veículos automotores e motocicletas foram os que mais contribuíram para a maior ocupação FOTO: ELLEN FREITAS
Em números absolutos, o contingente de desempregados foi de 143 mil pessoas - nove mil a menos em comparação com o mês anterior e 29 mil abaixo do total de desempregados em agosto do ano passado. Enquanto isso, o número de ocupados somou 1,6 milhão de pessoas - cinco mil a mais face a julho deste ano e quatro mil além frente a agosto de 2012. Por sua vez, a População Economicamente Ativa caiu para 1,8 milhão de pessoas, revelando retração de quatro mil pessoas no comparativo mensal e de 25 mil em 12 meses.
Os dados constam na edição de agosto da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) divulgada ontem por técnicos do Instituto de Desenvolvimento do Trabalho (IDT) e do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) na Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social (STDS).
De acordo com o analista de mercado do IDT, Mardônio Costa, a taxa de desemprego apresentou em agosto "a mais robusta redução ao longo de 2013". "Esse é um dos menores patamares da série histórica da pesquisa, bem próxima da menor taxa que já tivemos, de 7,7%, em dezembro de 2011. O que indica que podemos chegar abaixo desse patamar até o fim de 2013. Há boas perspectivas para isso", diz.
Mardônio porém, lembra que o desempenho do mercado de trabalho não é medido apenas pelo desemprego. "Há duas formas de reduzir o desemprego: ou pelo aumento das ocupações ou pela redução da procura. E o nível ocupacional da RMF está praticamente o mesmo. O que vemos é uma redução na pressão sobre o mercado de trabalho, demonstrando a perda de dinamismo na geração de postos de trabalho", avalia.
Setores
Quem contribuiu positivamente em agosto para a ampliação das ocupações foram os setores de comércio e reparação de veículos automotores e motocicletas, com acréscimo de seis mil vagas, e serviços, com a criação de quatro mil postos. A construção civil eliminou oito mil ocupações em agosto, enquanto a indústria não apresentou variação.
Informalidade
A informalidade voltou a dar sinais de retomada, com a queda do emprego com carteira assinada no setor privado, que eliminou oito mil empregos formais (-1,1%), associado ao aumento de nove mil postos de trabalho sem registro em carteira (4,9%). Ao mesmo tempo, o nível de ocupação dos autônomos subiu 0,9% ou em quatro mil postos.
O total de ocupados na RMF com carteira assinada caiu de 716 mil, em julho, para os atuais 708 mil trabalhadores. No mesmo período o contingente de assalariados sem carteira no setor privado saltou de 183 mil para 192 mil pessoas, entre julho e agosto. O número de autônomos subiu de 434 mil para 438 mil. Já o total de empregados domésticos permaneceu em 115 mil pessoas.
"Apesar da queda acentuada do desemprego, é preocupante essa questão da precarização. E os setores que empregam mais aqui no Estado - o comércio, os serviços e a construção civil - são os segmentos mais típicos nessa questão. Vamos dialogar para buscar qualidade de vida e trabalho descente. Essa será a bandeira da nossa gestão porque o trabalhador é parte importante do processo de desenvolvimento e não está só na composição da mão de obra", afirma o titular da STDS, Josbertini Clementino.
Rendimento
Entre junho e julho, o rendimento médio real caiu 0,9% para os ocupados e 1,7% para os assalariados, ficando em R$ 1.080,00 e R$ 1.132,00, respectivamente. Entre os sem carteira houve crescimento de 2,6% no rendimento médio real, enquanto os com carteira amargaram decréscimo de 2,1% no valor do rendimento.
ÂNGELA CAVALCANTE
REPÓRTER
OPINIÃO DO ESPECIALISTA
Mercado encolhe quando deveria gerar mais vagas
Mesmo em crise até 2011, nós continuamos assinando nossas carteiras, reduzindo nosso grau de informalidade e ampliando a nossa renda, mesmo como a pior renda do mercado de trabalho metropolitano do País. Então, em 2012, nós começamos a notar uma estagnação na ocupação - um crescimento menos acelerado desse processo, que se revela agora numa redução no tamanho do nosso mercado de trabalho nos meses de julho e agosto. E isso num momento em que ele deveria estar se recuperando e gerando vagas.
Então, são nove mil pessoas a menos no desemprego, que resulta na queda da taxa de desemprego, mas dessas apenas cinco mil foram para outras ocupações e quatro mil foram para a inatividade. E essas cinco mil pessoas que foram para outros empregos foram sem carteira assinada e para trabalhos precarizados.
Isso sem falar no aquecimento da inflação em nosso mercado, principalmente nos alimentos, o que dificulta ainda mais a situação para o trabalhador cearense.

Diário do Nordeste
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