Há bastante tempo que os líderes religiosos birmaneses, entre os quais o arcebispo Yangon Charles Bo, lançaram uma série de iniciativas para procurar restituir a harmonia e o diálogo entre as diversas confissões religiosas presentes em Myanmar. A situação continua tensa entre budistas e muçulmanos depois de uma série de confrontos e ataques contra indivíduos e comunidades, que causaram mortos, feridos e devastações em aldeias inteiras.
«O verdadeiro perigo – declarou Aung San Suu Kyi – vem da parte das pessoas que procuram atear o fogo do conflito. Perguntam-me sempre porque é que eu não condeno uma ou outra comunidade, mas desse modo se criariam conflitos ainda maiores, violências e perigos». É tarefa de todos, prossegue a entrevistada, trabalhar «para a reconciliação e a compreensão. É fundamental que triunfe o Estado de direito».
A prêmio Nobel da paz apela aos líderes religiosos para que «possam ter um papel importante numa ótica de paz». Todavia, conclui, «são as pessoas que devem procurar a paz. Os líderes religiosos podem indicar o caminho, mas é o povo que deve seguir essa estrada e conquistar a paz. É tarefa das pessoas, de todas, assumir a responsabilidade de construir a paz».
Nascida em 19 de Junho de 1945 Aung San Suu Kyi fundou em 1988 a Liga nacional para a democracia (Nld), que pediu o fim da ditadura militar, no poder desde 1962. Em 1989 começa a ser perseguida como dissidente. Em 1991 ganhou o prêmio Nobel da paz. Há poucos meses anunciou o seu desejo de concorrer à presidência da Birmânia.
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