Uma das melhores publicações do gênero no País, Sagarana é um sucesso editorial.
![]() Uma publicação para turistas e quem trabalha com turismo. (Foto: Tom Alves) |
Por Celso Adolfo*
Publicada em Belo Horizonte pela Veredas Jornalismo, na Rona Editora e comandada pelo editor Cézar Félix, Sagarana é revista que trata o turismo como o turista precisa: revela claramente os lugares e o que há neles. É revista que trabalha pelo turista e para quem trabalha com turismo. Em textos enxutos ou longos na medida certa, regada a muitas fotos, nada perde a objetividade.
A fotografia, em Sagarana, revela a devida beleza e o espírito do lugar fotografado. Isso seria normal se toda publicação do gênero alcançasse o que pretende.
Cada foto é submetida ao devido tratamento técnico para ser impressa. Impressa, ela agrada e informa a quem é alvo dela: o turista. O anunciante de Sagarana sabe que tudo na revista resulta em informação objetiva e que é estreita a margem para o equívoco ou o erro. Entre as revistas brasileiras dedicadas ao turismo, Sagarana é a que está próxima de todos os acertos.
Os seus fotógrafos são craques na captação da imagem. Além de olhar próprio, suponho que olham as cenas com os olhos de quem sorverá a revista. Diagramação e demais cuidados de produção gráfica somam-se para que Sagarana seja o caminho certo para quem busca o turismo que está Minas Gerais, e, em edições especiais, está pelo Brasil.
Sagarana tem um articulista que vai fundo: Euclides Guimarães. Para ele, "hoje é impossível mapear as influências que um indivíduo recebe na construção de sua experiência de vida". Sociólogo e professor da PUC-MG, Euclides encontra temas e raciocínios que surpreendem o leitor atento ou aquele que folheia distraidamente a revista. O seu texto enquadra lugares, imagens, revela mundos, mantêm abertas janelas mentais para quem se debruça ante a paisagem que há, ou a que está buscando, ou ante a paisagem cuja existência sequer desconfia.
Em 1883, Machado de Assis correspondia-se com José Veríssimo. Falavam sobre um Brasil sem revistas, e concluíam: "não há revistas, sem um público de revistas". E elas nasciam, nasceram, morriam e morreram na velocidade da vontade de quem batalhava por elas.
Os modernistas editaram Klaxon em São Paulo; os de Minas Gerais editaram Verde, em Cataguases; em BH, A Revista tinha Drummond labutando por ela. Ainda nos anos 1920, um poeta/engenheiro carioca edita Electrica, também no interior mineiro, em Itanhandu. Heitor Alves, seu editor, nascera em 1898, quando Machado de Assis, no Rio, e José Veríssimo, no Pará, tratavam da má sorte de um país, ali sim, quase sem leitores. Revistas assim eram literárias. Hoje as há e para todos os gostos, depois do tanto que se batalhou por elas.
Sagarana não se deixa distrair. Difícil encontrar publicação que lhe supere os cuidados que a fazem equilibrada e perfeitamente indicada para o público que hoje há, o público de revistas. Para o público do turismo, Sagarana circula há 15 anos.
*Celso Adolfo é músico e escritor.

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