29/09/2014

Novo Catecismo: O desejo de Deus no coração do homem


No nosso espaço dedicado aos 20 anos da publicação do Novo Catecismo, vamos tratar na edição de hoje sobre desejo de Deus inscrito no coração do homem.

O Catecismo nos diz, no número 27, que "o desejo de Deus está inscrito no coração do homem, já que o homem é criado por Deus e para Deus; e Deus não cessa de atrair o homem a si, e somente em Deus o homem há de encontrar a verdade e a felicidade que não cessa de procurar". A vocação do homem à comunhão com Deus é justamente a reflexão que o Pe. Gerson Schmidt nos traz no programa de hoje:

“Amado ouvinte!

Estamos refletindo, no primeira parte do Catecismo da Igreja Católica, nas páginas iniciais, sobre o tema da Fé. O que é, afinal, a Fé? A Dei Verbum 8 afirma que "pela fé o homem livremente se entrega todo a Deus, prestando 'ao Deus revelador o obséquio pleno do seu intelecto e da sua vontade', e dando voluntário assentimento à revelação feita por Ele”. Pela fé, portanto, conforme os padres conciliares, há uma entrega do homem a Deus que se revela, pela inteligência, vontade, num consentir pleno à revelação. 

O Catecismo aponta, no número 26, que a fé é uma resposta do homem a Deus que se revela ao ser humano e ao mesmo tempo lhe confere uma luz extraordinária e superabundante respondendo a cada um de nós sobre o sentido último de nossa vida. Afinal, por que existo? Por que estou no mundo? Qual o sentido da minha vida? Por que eu e você estamos aqui nessa terra? Para comer, beber e dormir e passar o tempo? 
No ponto seguinte, no número 27 do Catecismo, já existe uma resposta a essas afirmativas, digo, perguntas, que fazemos da razão de nosso existir. Diz ali que o homem é criado por Deus e para Deus e Deus não cessa de atrair o homem a si. Então existe em nós, intrinsecamente, por essência ontológica e criatural, porque assim Deus nos fez, um desejo de infinitude depositado pelo Criador e Pai de cada um de nós. O homem tem o desejo de Deus e, afirma Santo Agostinho, que nosso coração andará irriquieto, insatisfeito enquanto não repousar em Deus. Ou como o mesmo santo continua a declarar, como desabafo, no Livro das confissões: “Agora eu te reconheço e confesso, a ti que tiveste compaixão de mim, quando eu não te conhecia. Tu estavas mais dentro de mim do que a minha parte mais íntima”. 

Há um convite do Criador a cada um de nós, como afirma o constituição conciliar Gaudium et Spes número 19: 

“Este convite que Deus dirige ao homem, de dialogar com ele, começa com a existência humana. Pois se o homem existe, é porque Deus o criou por amor e, por amor, não cessa de dar-lhe o ser, e o homem só vive plenamente, segundo a verdade, se reconhecer livremente este amor e se entregar ao seu Criador”.

Portanto, amado ouvinte, diferentemente do que os filósofos pré-socráticos afirmavam que Deus fosse inacessível, o catecismo deixa claro que o homem é um ser religioso e que é capaz de Deus. Como afirma os Atos dos apóstolos que Deus não está longe de cada um de nós: “Pois nele vivemos, nos movemos e somos” 9. Esse desejo de Deus é tão expressivo no salmo 63 (algumas bíblias 62 – mas eu aqui vou sempre ter a referência da Bíblia de Jerusalém – que é salmo 63) quando o salmista reza com toda a sua alma e que rezamos na Liturgia das Horas de Domingo da Primeira semana: 

“Ó Deus, vós sois o meu Deus, com ardor vos procuro. 
Minha alma está sedenta de vós, e minha carne por vós anseia 
como a terra árida, sedenta e sequiosa, sem água. 
Minha alma se agarra em vós, com poder vossa mão me sustenta”. 10

Ou ainda como no salmo 42 em que se faz a belíssima comparação do ser homem como Corça que é um animal dotado de olfato privilegiado que lhe possibilita sentir cheiro de água a quilômetros. Olha só que poético, que oração fantástica do salmista: 

“Como uma corça suspira pelas correntes das águas,
Assim a minha alma suspira por ti, ó Deus.
A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; 
Quando terei a alegria de ver a face de Deus?
As minhas lágrimas têm sido o meu alimento de dia e de noite, 
enquanto insistente repetem os inimigos: Onde está o teu Deus”.

A paz e a benção, amado irmão”.
8 DV, n° 5
9 Cf. At 17,23-28
10 Sl 63, 2s. 


(JE)



Texto proveniente da página http://pt.radiovaticana.va/news/2014/09/29/novo_catecismo:_o_desejo_de_deus_no_cora%C3%A7%C3%A3o_do_homem/bra-828095
do site da Rádio Vaticano 

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