09/12/2015

Após manobras de Cunha, grupo pró-impeachment tem maioria na comissão

A escolha da chapa que vai compor a comissão especial do impeachment, na Câmara dos Deputados, foi marcada por muita confusão na noite de ontem no plenário da Casa. Bate-boca, empurra-empurra, quebra de urnas e agressões verbais deram o tom do dia que teve como resultado a derrota governista na primeira batalha do processo de impedimento da presidente Dilma Rousseff (PT).



O presidente Eduardo Cunha (PMDB), após adiar a votação e compor uma lista avulsa com a oposição, não considerou os questionamentos de diversos parlamentares e optou pelo voto secreto na eleição das duas chapas concorrentes, o que deu margem para infidelidades de parlamentares teoricamente governistas.


Por 272 votos contra 199, a oposição obteve uma surpreendente vitória para indicação dos integrantes da comissão. Com 39 nomes, em tese pró-impeachment, já garantidos nas indicações, o governo deverá trabalhar hoje para indicar os nomes restantes na eleição suplementar.


Na comissão, com maioria oposicionista, o governo começa a disputa já em desvantagem. A chapa alternativa foi criada após união entre dissidências governistas com o apoio da oposição.


O governo, agora, quer levar a plenário o mais rápido possível a votação de instalação do impeachment, já que tem, pelo menos momentaneamente, os votos para barrar a deflagração do processo. A velocidade dos trâmites, no entanto, vai se dar ao sabor dos interesses da oposição, que terá o comando da comissão.


Vice-líder do governo, o deputado Silvio Costa (PTdoB) diz que o governo vai indicar nomes na eleição suplementar para não dar margem de que “jogou a toalha”. Prevendo a votação em plenário de abertura do processo, o deputado afirmou que “o governo provou que tem 199 votos consolidados. Quem votou no governo de forma secreta de forma aberta também vai votar no governo”.


Reações


Derrotado na votação, o governo partiu para o ataque. Líder do governo, o deputado José Guimarães (PT) criticou em plenário o que chamou de “armação política”. “É uma votação que eu acredito que o Supremo irá reverter isso. É evidente que houve uma armação política, um conluio, e não podemos pactuar com isso”, argumentou.


Pela oposição, Mendonça Filho (DEM) defendeu o processo de eleição da comissão. “A eleição está respaldada no regimento em dois artigos. Eleição se dá por voto secreto para impedir a barganha e a intimidação”. (com agências)


O Povo



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