Artigo de Dom Aldo para o Jornal da Paraíba (14/05/2012)
No dia das mães considero oportuno meditar (trecho) da carta de Vanessa Storrer, professora do Colégio Estadual Mesquita, de Curitiba, escrita à Revista Veja, em resposta à Roberta Lima (reportagem “Aula Cronometrada”). Vanessa reage à acusação a respeito da causa do mau desempenho dos alunos, atribuída aos professores. Vanessa comenta que muitos pais de famílias pobres não conseguem acompanhar os filhos nas atividades escolares, nem orientá-los para a vida, porque devem trabalhar. Há famílias destruídas pela violência causada pelo vício das drogas, hoje trazidas para dentro da maioria das escolas brasileiras. Com pesar ela vê um panorama desalentador no mau desempenho escolar. Não haveria necessidade de mais diagnósticos de especialistas sobre as falhas da educação. Há necessidade de entrar numa sala de aula e observar a realidade. Alunos repletos de estímulos, muitas vezes nem têm o que comer em suas casas. Não é justo atribuir aos professores a incapacidade de atrair a atenção de alunos repletos de outros estímulos. Os problemas da sociedade não devem ser resolvidos apenas pela escola. Na minha infância, diz ela, pai, mãe, tios, avós estavam presentes. Era inadmissível faltar com o respeito aos mais velhos, aos professores, não cumprir as obrigações escolares ou caseiras. Faço comparações com os alunos de hoje, repletos de estímulos de passar o dia na rua, não fazer as tarefas, ficar em frente ao computador, alguns até altas horas da noite, (quando o têm), brincando no Orkut, ou, ainda pior, envolvidos nas drogas. Sem disciplina seguem perdidos na vida.
Realmente nada está bom porque as crianças e os jovens procuram amor, atenção, orientação, disciplina. Há anos atrás o nosso estímulo era responsabilidade, esperança, alegria. Esperança de que, se estudássemos teríamos uma profissão, seríamos realizados na vida. Hoje os jovens constatam que se venderem drogas vão ganhar mais. Para que estudar? Por que numa época com tantos estímulos não vemos olhos brilhantes nos jovens? Quem, dos mais velhos, não lembra a emoção de somente brincar com os amigos, de ir aos piqueniques, subir em árvores? Nas aulas, havia respeito, amor pela Pátria, cantávamos o hino nacional diariamente, tínhamos aulas chatas, só na lousa. Sabíamos ler, escrever, fazer contas com fluência. Coragem mães! Sejam formadoras dos filhos. Orientem-nos com valores humanos e cristãos. Amem os filhos e não os deixem soltos por aí, pois o submundo da violência os devoram. Não embarquem em conversa de quem não acredita na educação que se recebe dos pais, na família.
Dom Aldo Pagotto, sss
Arcebispo Metropolitano da Paraíba

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