Artigo de Dom Aldo para o Correio da Paraíba (14/05/2012)
Ante as contradições presentes na sociedade de consumo, de que modo uma mãe consegue fazer-se presente à vida e desenvolvimento dos filhos? Ante o cenário de violência que aterroriza e inibe, como formar os filhos? A missão dos pais é formar integralmente os filhos, incutindo uma boa índole, preservá-los da corrupção, subtraí-los dos comportamentos condicionados, facilitar-lhes ambientes saudáveis. Com simplicidade Paulo apóstolo afirma que “não nos deixemos vencer pelo mal. Vençamos o mal com o bem” (Cf. Rom. 12,21). Esse conselho nos subtrai a tentação de usar armas de inimigos. Seria o mesmo que entregar ouro a bandido.
A educação dos filhos é um processo longo, árduo, incansável, permanente. Não podem faltar oportunidades para os pais acompanharem seus filhos. Na verdade não é fácil localizar ambientes sadios, livres dos condicionamentos e dos vícios. Nossos valores divergem dos que hoje são impostos à fina força pela mania consumista. O clima mercantil movimenta a sociedade. O estilo de vida hodierno é outro. Os pais não têm meios para enfrentar a ditadura da moda que “faz a cabeça” dos filhos, nem possuem instrumentos utilizados pelo narcotráfico. Nem adianta medir forças. A proporção é desigual. Entanto a missão dos pais é estar presente junto aos filhos. Não raro, incompreendidos, os pais sentem-se distantes e preteridos.
Ante a mudança de época histórica há muitos pais que são marcados por dúvidas. O mundo mudou. Entanto nossa missão formadora permanece. Nem sempre temos respostas. Temos fé e amor, valores e exemplos. Não estamos sós. Deus está presente às transformações. Devemos passar por fases difíceis. Não façamos o jogo do inimigo que nos tenta à desistência. Peçamos forças ao Senhor da vida, sem nos deixar abater pelo cansaço, inevitável. As paixões são vingativas. As virtudes equilibram, evitando o sentimento de culpa, de desqualificação, de desprezo.
A restauração do bem dos filhos vitimados por males se encontra na prática do bem. A lei do retorno é inexorável. Os pais corrigem os filhos, reorientando-os. Os filhos devem ser burilados, interior e exteriormente. Os pais devem legar responsabilidades aos filhos. O bem resulta da batalha contínua, dura, intermitente. Seus frutos virão ao tempo propício. Deus nos criou para colaborarmos na sua obra, nos destinando ao aperfeiçoamento. Os pais experimentam provações. A mãe e o pai são construtores da paz, contando com um bem maior, sobrenatural, presente: o poder da graça divina a lhes amparar. Mãe: o amor de Deus está presente no seu coração. Pai: Deus é Amor. Esse Amor maior lhe é participado. Fé, força, coragem, paz nos seus corações e no seu lar.
Dom Aldo Pagotto, sss
Arcebispo Metropolitano da Paraíba

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