Solenidade de Pentencostes
27/05/2012
+ Sergio da Rocha
Arcebispo de Brasília

Na solenidade de Pentecostes, concluímos o Tempo Pascal, celebrando a vinda do Espírito Santo e suplicando a sua presença, hoje, em nossa vida e na vida da Igreja. “Enviai o vosso Espírito, Senhor, e renovai a face da terra”, rezamos no Salmo 103. “Daí aos corações vossos sete dons”, pedimos através do hino litúrgico conhecido como “Sequência” de Pentecostes. Nós cremos no Espírito Santo, “que procede do Pai e do Filho e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado”, conforme rezamos na formula mais longa do “Creio”. Entre nós, são muito apreciadas as chamadas “festas do Divino”, mostrando o reconhecimento da importância do Divino Espírito Santo pelo nosso povo. Contudo, a solenidade de hoje encontra o seu verdadeiro sentido na Palavra de Deus proclamada na Celebração Eucarística.
A Liturgia da Palavra nos fala da vinda do Espírito Santo, dom do Senhor Ressuscitado, acolhido por Maria e os Apóstolos reunidos em oração, no cenáculo, por ocasião da festa hebraica de Pentecostes, segundo relato dos Atos dos Apóstolos. Os sinais de sua presença são destacados. Conforme o livro dos Atos dos Apóstolos, o Espírito ilumina e anima os discípulos, levando-os a superar o medo e anunciar o Evangelho; ele une os que falavam línguas diferentes, fazendo-os compreender a pregação dos Apóstolos, “pois cada um ouvia os discípulos falar em sua própria língua” (At 2,8). Na Primeira Carta aos Coríntios, S. Paulo também se refere à unidade na diversidade de dons e ministérios provenientes do mesmo Espírito, em vista do bem comum (1Cor 12, 5-6), motivando os cristãos a viver unidos. O Evangelho segundo João, ao relacionar o dom do Espírito ao Senhor Ressuscitado, destaca o perdão e a paz, assim como, o envio em missão. “Como o Pai me enviou, também eu vos envio” (Jo 20,21), afirma Jesus. Assim sendo, nós somos convidados a acolher, hoje, de modo renovado, o Espírito da unidade, do perdão e da paz, o Espírito que nos anima e fortalece na vida cristã, especialmente, no testemunho cotidiano e na missão de evangelizar. A celebração de Pentecostes, assim como ocorreu com a Páscoa, não pode ficar restrita à Liturgia, mas deve se prolongar no dia-a-dia através da vida no Espírito. É preciso deixar-se conduzir pelo Espírito para discernir a vontade de Deus, compreender a Verdade e produzir os frutos que Jesus espera de nós.
Em Pentecostes, concluímos também a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. Juntos, em busca da unidade, bendizemos ao Senhor através do tema proposto para este ano:“Graças sejam dadas a Deus, que nos dá a vitória por meio do Senhor nosso Jesus Cristo (1Cor 15,57). Com Maria, mãe de Jesus e nossa Mãe, suplicamos o cumprimento da palavra de Jesus entre nós: “Que todos sejam um!” (Jo 17,21).
Nenhum comentário :
Postar um comentário