Cidades Narradas: memória, representações e práticas de turismo é o título do livro que a socióloga Irlys Barreira lança, hoje, a partir das 20h, no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura. Na ocasião, a autora participará de um bate-papo com a plateia e discutirá o tema com o arquiteto e urbanista Fausto Nilo.

Para a autora, cada cidade abriga marcas de experiências permeadas de imaginários que se integram aos rituais de visitação e turismo FOTO: CID BARBOSA
A partir de um estudo de campo em quatro destinos turísticos, Lyon, Berlim, Lisboa e Fortaleza, a pesquisadora aborda as pluralidades de expressões e narrativas desses espaços urbanos, expressas nos guias, catálogos, postais, roteiros ou nos discursos de seus moradores e visitantes. A pesquisadora explica que a escolha das cidades não foi aleatória. Por um menor ou maior período, ela chegou a morar em todas elas, de acordo com a evolução de sua carreira acadêmica. "Desta forma, pude observar de perto o contexto turístico de cada uma delas", relembra. As cidades e suas histórias. Lugares para se conhecer, traçados, vias e circuitos. Não obstante a economia dos tempos modernos que prioriza a rapidez e precisão do conhecimento nas práticas de viagem, as narrativas sobre cidades vêm perdurando ao longo dos anos. Uma sociologia ou antropologia das narrativas volta-se para entender como elas se relacionam com atores sociais, mentalidades, contextos sócio-históricos e visões de mundo que emergem na apresentação de cidades.
A publicação analisa o modo como as cidades selecionadas se dão a conhecer, incorporando dimensões de espaço e tempo que aparecem em discursos voltados para visitantes e moradores, rituais de visitação, formas variadas de consagração de lugares e monumentos. As narrativas não se desvinculam de profissionais do urbanismo e arquitetos que imprimem marcas na cidade por meio de intervenções espaciais.
Os guias turísticos, catálogos, cartões-postais, roteiros de visitação e profissionais que exercem o trabalho de apresentar lugares servem de referência à compreensão da cidade com seu conjunto de narrativas. A prática de rituais que imprimem a valorização de lugares, monumentos e museus cumpre a função de condensar e validar elementos do chamado patrimônio urbano.
Toda cidade busca um ponto que a diferencie das demais. Na Europa, ressalta Irlys Barreira, o turismo é mais baseado em suas memórias trágicas e heroicas, seus monumentos. A própria cultura do deslocamento é mais antiga por lá. No Brasil, mais especificamente em Fortaleza, os visitantes ainda são atraídos, em sua grande maioria por suas belezas naturais, apesar dos aspectos históricos também estarem presentes - "toda cidade tem história". "Hoje em dia, todo visitante já chega a um local munido de informações prévias e sabendo o que quer conhecer. Numa cidade como Fortaleza, ter cesso ao seu lado mais histórico requer um interesse acima da média por parte dos visitantes", analisa. "Hoje é muito mais fácil conhecer o litoral".
Uma tendência que Fortaleza tem seguido, elogia a autora, é a de criar roteiros alternativos, como os que visitam cemitérios ou locações de filmes. "Quando há investimento, há interesse", assegura.
Cada cidade abriga marcas de experiências permeadas de imaginários que se integram aos rituais de visitação e turismo. Os guias e catálogos podem ser vistos como modos específicos de "contar a história da cidade" e firmar elos entre o passado e o presente.
As narrativas são também permeadas de conflitos e tensões que atravessam o conjunto de imagens e interesses dos diferentes atores que vivem dentro e fora das cidades. Expressam encontros e desencontros entre cidade real e cidade imaginada.
Mais informações:
Lançamento do livro "Cidades Narradas", da socióloga Irlys Barreira, hoje, às 20h, no Centro Dragão do Mar (Praia de Iracema). Contato: (85) 3488.8600
Diário do Nordeste
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