O direito internacional dos direitos humanos não impede as mulheres de levarem uma vida conservadora ou religiosa se assim o desejarem. Mas, muitas vezes, os governos impõem restrições sobre as mulheres que procuram a igualdade ou a autonomia. Segundo Kenneth Roth, diretor-executivo da Human Rights Watch (HRW), estas limitações são mais notadas nos países onde o islamismo tem conquistado o poder e um dos motivos de combate político, pois alguns líderes argumentam que a igualdade de género é uma imposição ocidental, em desacordo com o Islão ou a cultura árabe.
«Talvez não haja nenhuma forma que melhor defina a reputação dos governos predominantemente islâmicos da Primavera Árabe, à medida que estes se estabelecem, do que o tratamento dado às mulheres”, afirma Roth, acrescentando que «os dicursos vistos como transgressão de certos limites tentam frequentemente os que estão no poder a restringir os direitos dos outros». Neste sentido, sublinha o responsável, a disposição dos novos governos saídos das revoluções árabes para respeitar os direitos humanos determinará se as revoltas darão à luz verdadeiras democracias ou apenas novas formas de autoritarismo.
O relatório da HRW alerta ainda para a necessidade de regulamentação das operações financeiras a nível mundial, sobretudo nesta era da globalização, em que se torna fundamental «proteger os direitos dos trabalhadores e dos povos negativamente afetados por operações empresariais». O documento, com 665 páginas, contém informação sobre as práticas de direitos humanos em mais de 90 países.
Fátima Missionária
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